Em todo mundo, principalmente no Brasil, há enorme quantidade de exorcistas (muitas vezes falsos pastores e falsos padres) dedicados a expulsar os demônios. Os espíritas dizem que os demônios são espíritos de mortos maus. Precisamente agora que a religião católica e as confissões protestantes e tradicionais proibiram os exorcismos por corresponderem a uma interpretação anticientífica.

Espíritas e pastores exorcistas costumam apelar  à Bíblia no intento de provar a possessão demoníaca. Erradamente. O caso evangélico que mais costumam citar é… “o dos porcos”.

1º) Quando Jesus, com seus discípulos, foi à terra dos gergesenos, veio-lhes ao encontro um endemoniado que saíra dos esconderijos sepulcrais. E se pôs a gritar: “Que temos a ver contigo, Filho de Deus?; prostrou-se  ante Cristo e gritou: “Jesus, Filho de Deus Altíssimo, conjuro-te por Deus, não me atormentes. Sei quem és Tu, o Santo de Deus”.

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Não tem cabimento que o demônio se converta em apóstolo e dê testemunho da divindade de Cristo. Tudo fica compreensível supondo-se simplesmente que captara o pensamento de Jesus. Nem o próprio diabo conjuraria pelo nome de Deus.

2º) O “possesso” era um louco. Megalomaníaco. Perguntou-lhe Jesus: “Qual é o teu nome?” Respondeu-lhe: “Legião é o meu nome, porque somos muitos”. A legião romana constava de 666 soldados! Tantos demônios pulando no corpo de uma só pessoa? Duro de aceitar.

Mas a resposta de louco é plenamente encaixável na típica e freqüentíssima megalomania. Para não sofrer complexos de inferioridade, muitos loucos declaram ser reencarnação de Maria Antonieta, Napoleão, Júlio César… A família sofre, mas eles são felizes. Um louco particularmente selvagem e furioso tinha de ter uma legião de demônios!

3º) Os demônios imploravam: “Se nos expulsas, manda-nos para a manada de porcos”. A vara seria de cerca de dois mil porcos. Os demônios precisam de uma casa? Passam frio no inverno? Molham-se quando chove?

Enquadra-se perfeitamente  à mentalidade primitiva, que concebia os demônios dotados de corpo, mais ou menos tênue e até com instintos carnais. Os umbandistas lhes oferecem comida, cachaça, charutos…

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4º) “Os demônios então saíram do homem, entraram nos porcos; e a manada se arrojou no precipício, dentro do lago, e se afogou”.

É típico que, no momento da crise da cura, o doente apresente uma última e mais violenta demonstração. Gritos, gemidos, gestos, convulsões assustadoras… crise paroxística. Um inicio de pânico nos apóstolos, nos cuidadores dos porcos, em outras pessoas presentes. Já a própria presença do famoso e perigoso energúmeno logicamente deixava tensos e apreensivos todos os espectadores. Pouca coisa bastaria para provocar uma reação desproporcionada.

Por outro lado, todo mundo sabe que o pânico em certos animais que vivem em manadas se espraia por contágio num instante. O estouro da boiada. A revoada dos pássaros… Se um ou dois porcos entra em pânico, toda a vara, em crescente contágio, entra em pânico.
O inicio pode ter sido o influxo do doente em algum porco. O pânico dos animais perante a emissão de energia parapsicológica (telergia) tem-se constatado inúmeras vezes. Em todos os ambientes. Pode ser que o olho humano não chegue a ver nada do que assusta o animal.

Crise, reação, efeitos telérgicos… difunde-se o pânico… Os porcos caem pela íngreme pendente, no lago.

Se fossem os demônios que queriam uma “casa”, cuidariam dos porcos. Se não… os demônios a nadar! E seria contraditório dizer que os quase “onipotentes” demônios – como os pintam – não conseguiriam dominar o pânico da vara.

5º) Os gergesenos  se maravilharam até o ponto em que “o pânico se apoderou deles” na intuição do poder milagroso de Jesus, capaz de, num instante, fazer que um louco passasse a poder  estar “sentado, vestido e no seu são juízo”.

(Não aconteceu em Gerasa, que está a 50 Km do lago, senão em Gersa, hoje kursi).
Este é o melhor “argumento” para defender a possessão demoníaca! Completamente errado. Os outros casos são ainda mais fáceis de explicar. Não há possessão: nem demoníaca e nem espírita.

 

Luiz Roberto Turatti
Colaborador do CLAP

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