ASSOMBRAÇÕES DURANTE A MORTE!

Médicos tentando reanimar um acidentado, e o “morrente” assiste a tudo “como de fora”.
O melhor argumento? — Ernesto Bozzano é considerado pelos espíritas como a maior autoridade científica em defesa do espiritismo (que no fim abandonou completamente convencido da sua falsidade). Certas manifestações que às vezes acontecem no momento e pouco depois da morte, Bozzano as considerava como as melhores provas (?!) da comunicação dos “espíritos”. Seria o “espírito” do recém-falecido que comunica sua entrada no além. (Lembre o leitor que costumo pôr “espíritos” entre aspas, porque não há “espíritos” humanos separados -ou como diz a difundida ignorância, desencarnados–: há homens vivos e homens ressuscitados, mas sempre corpo e espirito, corpo animado).

*** Esses fatos, escreve Bozzano, “não se podem explicar com hipóteses naturalistas”. Para ele as razões são “de tal modo claras” que é inútil expô-las (!!??).

&& Na realidade, como pretendo corroborar neste artigo, também nestes casos a que Bozzano alude de fenômenos durante a morte são plenamente inúteis as monografias de Bozzano a respeito da identificação de “espíritos” de mortos.

Estes fenômenos durante a morte também não provam a comunicação dos “espíritos” dos mortos, porque em primeiro lugar são fenômenos ocorridos com pessoas clinicamente mortas, mas que nem sequer estão realmente mortas, trata-se de vivos morrendo… Explico:

Tanatologia — Com as técnicas avançadas de análise, a medicina deu ocasião ao nascimento do ramo da parapsicologia chamado tanatologia (do grego Zhánatos = morte, a deusa Morte, e lógos = tratado). Aqui só umas breves idéias com referência à pergunta: quando alguém já está realmente morto, saiu deste mundo, já entrou no outro mundo, na eternidade?

Muitas pessoas consideradas mortas, depois se reanimam. Natural ou artificialmente. A morte clínica, portanto, dessas pessoas na realidade era morte aparente, não estavam realmente mortas. Sem dúvida, dizem os especialistas, milhões de pessoas são enterradas fisiologicamente vivas: poderiam tecnicamente recuperar-se. Algumas, espontaneamente, recuperam total ou parcialmente, no túmulo, atividade fisiológica.

E há outros muitos problemas, há outros muitos detalhes que implicam grande diferença entre a morte clínica, morte aparente e morte real.

Antes de completar-se 5 minutos da parada cardíaca, o cérebro apaga. Contra esta afirmação da fisiologia, porém, têm-se acumulado exceções… Inclusive por técnica, e plenamente consciente, algum exibicionista tem chegado a parar a pulsação cardíaca por dez minutos…

Normalmente horas depois da parada do coração, dos pulmões e de o eletroencefalograma apresentar uma linha contínua, indicadora da ausência de atividade mental, percebem-se no próprio cérebro os raios mitogenéticos de Gurwitsch, que demonstram que há atividade própria dos tecidos.

Os músculos estão vivos até dez dias depois da parada cardíaca, do eletroencefalograma plano…
Dias depois, a putrefação não começou em todas as partes… Comparemos com os animais: Experimentalmente comprovou-se, por exemplo, que a cabeça decepada de uma galinha -portanto, sem dúvida nenhuma, morta clinicamente- está “viva” ao ponto de conseguir regenerar o humor cristalino. No ser humano: outras experiências provam que em fragmentos de um cadáver, até vinte e três dias depois, ainda se podem encontrar células vivas, capazes de cultivo. Antes havia milhões e milhões de células vivas. O organismo vai morrendo aos poucos. A natureza não dá pulos…

Ora, enquanto houver algumas células vivas, pode falar-se de morte clínica, mas não se poderia falar de morte real. Se há células vivas, se há vida citoplasmática, não é morte do organismo como um todo. Algo ainda está vivo. Esta animado pela sua única alma.

A filosofia perene demonstra e garante que no ser humano o princípio vital é espiritual, único e indivisível, unido ao corpo formando uma só e única entidade. O princípio que anima o corpo para a vida racional é o mesmo que anima o corpo para a vida sensorial, e o mesmo para a vida vegetativa. É uma só a alma que anima cada célula do corpo e todo o corpo. Portanto, enquanto algumas células do corpo estiverem vegetando, lá está todo, indivisível, o princípio espiritual que animava todo o corpo. A morte real ainda não chegou para essa pessoa. A morte real se dá quando todos os componentes do corpo estão mortos, plenamente sem vida, inativos “pelas próprias forças”.

Atividade psíquica – Outro aspecto da tanatologia: centenas de pessoas reanimadas fazem descrições do que viram, ouviram, sentiram, pensaram e fizeram “extracorporeamente” (?!) durante a morte aparente. Até se sentiram fora do corpo (OBE = Aut of de Body Experience = Experiência Fora do Corpo, com mais ou menos exteriorização de ectoplasma) O que agora interessa ressaltar do ponto de vista das “assombrações” ou pretendida intervenção dos “espíritos” dos mortos” é que todos esses fatos mostram que indubitavelmente há uma certa independência entre psiquismo e atividade cerebral: pois houve atividade e consciência em pessoas clinicamente mortas, cerebralmente inativas. mortas só aparentemente. Surge então de novo a pergunta: e nos casos em que não há reanimação, quando acaba a consciência? Quando realmente se morre ou se passa ao “outro mundo”?

E no inconsciente? — Há muitos casos e vários tipos de dissociação da personalidade. Paralelamente à vida consciente, há uma vida inconsciente. E autônoma. O inconsciente pensa, sente, age, às vezes tomas as rédeas de todo o comportamento humano. Às vezes o consciente fica de testemunha, outras vezes o consciente nada percebe ou lembra. Em outro estado alterado de consciência, porém pode aflorar aquilo que parecia não ter sido percebido. Em pessoas clinicamente mortas, reanimadas sem lembrança de nada, houve atividade psíquica do inconsciente? Nas que não se reanimaram, por quanto tempo se estende a atividade psíquica do inconsciente?

Podem ser agentes de fenômenos parapsicológicos? Até quando? Tem-se encontrado cadáveres com sinais manifestos de que se reanimaram fisiologicamente no túmulo: mexeram-se, arranharam as tábuas do caixão, rasgaram suas roupas… Havia também atividade psíquica inconsciente?

Mais problemas… — Deste ponto em diante… a cabeça gira. Há casos especiais… que parecem delírios.

Superando as maiores façanhas dos animais hibernantes…
Certos sapos podem com seus próprios venenos alcançar um tipo de letargia e ficar clinicamente mortos até por doze anos. Depois se reanimam plenamente.

Animais congelados foram reanimados após três mil anos, após cinco mil anos… Tem-se conseguido reanimar bactérias que estiveram congeladas durante mais de um milhão de anos.

Há possibilidade de algo análogo no homem? Certamente têm-se recuperado sem seqüelas, após uma hora, seres humanos afogados. E após várias horas, se afogados em águas a baixas temperaturas. Há casos comprovados de letargia humana por quatro anos, com recuperação plena posterior.

Será que ainda no século XXI ou mais tarde serão reanimados homens que recentemente pagaram fortunas e se conservam congelados?

Deixemos aos filósofos e à ficção científica estas últimas especulações. Contentemo-nos, no atual estágio da tanatologia, com as “assombrações” ou fenômenos parapsicológicos até uns 20 dias após a morte clínica. Não são mortos, são “moribundos”. Não ultrapassaram a porta de entrada no “outro mundo”.

Não é novidade — As descobertas (?) do que hoje chamados tanatologia já eram conhecidas de antanho, e precisamente nelas se apoiava Adolph D’Assier para ridicularizar como mero produto da ignorância a interpretação dada pelo espiritismo, então nascente.
Nas 305 páginas de seu interessante livro, D’Assier recolhe “nas melhores fontes (…), fatos observados em todos os séculos e em todos os povos (…) e que parecem conclusivos”. Fenômenos parapsicológicos aparentemente de mortos, por exemplo de tiptologia, contato, telecinesia, moldagem, fantasmogênese etc., tudo na realidade “procede evidentemente da personalidade viva, da qual se apresentam como continuação (…) Quando as forças vitais abandonam (o corpo), continua algum tempo a ação da individualidade humana.

Desenho “Ascenção do céu” de Jeronymus Bosch (+1516). Quanto tempo há entre a morte
clínica e a morte real? Certamente até 8 dias após a parada cardíaca, a pessoa ainda tem muitas mais células vivas do que mortas…

Algum valor confirmativo — Não parece que se possam rejeitar sem mais, certas tradições seculares. Têm um fundo de verdade…

Os primitivos da Austrália e da Oceania acham que a alma está presa ao corpo no sepulcro até três dias depois da morte. Concordam com isso tradições de tribos africanas. E tradições tibetanas.

Além das tradições dos primitivos, também diversos ramos do ocultismo chegaram à mesma conclusão. Prescindindo da roupagem mística, há um quê de valor confirmativo.
O visionário Stainton Moses, muito considerado pelos espíritas, garante (?!) que seu pai só “desencarnou” (!!?) realmente quatro dias após a morte clínica.

Os rosa-cruzes afirmam que algumas pessoas ficam “ligadas á terra” por “alguns dias ou semanas”. O Imperador da Ordem Rosa-Cruz para as Américas acena como prova…

às histórias de visões de “espíritos” e outros fenômenos parapsicológicos concomitantes logo após a morte, à prática de peritos criminais de observar as reações dos parentes e amigos dos supostos assassinados, pois estes continuariam tentando comunicar-se para evitar que algum inocente seja acusado. E acena também a que há “em várias nações, numerosos rosa-cruzes profundamente absorvidos pelo mesmo (problema de “pessoas ligadas á terra”) com destacado sucesso”.

Déodat Roché dedica um livro inteiro a defender a teoria… dos modernos e antigos cátaros de que a alma das pessoas clinicamente mortas fica alguns dias presa ao cadáver e que todas as pretensas manifestações dos “mortos” explicam-se pela ação destes “moribundos”.

Confusão esclarecedora — O poeta Marc Laforgue viu por duas vezes um ex-colega da universidade, já falecido, de nome Tellier. A primeira vez que o viu, estava sentado numa sala vazia da universidade. Estava curvado, triste: “Pois é, estou morto”, ouviu que lhe dizia internamente, sem palavras externas. No mesmo lugar, na mesma atitude, mas sensivelmente mais triste, viu-o “alguns dias mais tarde”, e sem palavras o “entendeu mentalmente” dizer: “Agora estou um pouco mais morto do que a última vez”.

&& É compreensível a estupefação do poeta. Mas as expressões que “ouviu” (captou telepaticamente) do “moribundo” (se não for mera projeção subjetiva do próprio Laforgue) explicam muito bem o processo: Tellier estava clinicamente morto, mas ainda não chegara à morte real, ia aproximando-se dela cada dia “um pouco mais”.

Ação do moribundo — Com o prisma da morte aparente, analisaram-se perfeitamente muitos fatos, e aparece a total falta de lógica da pretensão do espiritismo.

Entre as telecinesias “relacionadas com a morte”, consideradas por Bozzano como irredutíveis à explicação parapsicológica (?!), ele mesmo seleciona um caso:
Pela voz da médium Osborne Leonard, o “espírito” de W. A., a fim de identificar-se e provar ao seu parente próximo, Sr. Braley, que há comunicação dos “espíritos” dos mortos, teria dito: “Depois do meu falecimento, tentei repetidas vezes abrir as portas dos quartos (…) Ouviram-me caminhar pela casa? Entre outras coisas tentei acordar Mabel (esposa de Braley), abrindo a porta do quarto onde dormia, mas logo me arrependi pensando que poderia assustá-la se me tomasse por um ladrão”.

Comenta Braley: “Pouco depois do falecimento de W. A., minha mulher dormia no quarto contíguo aquele onde jazia o defunto. De repente, á noite, a porta do quarto foi escancarada. Minha mulher desceu da cama e a fechou com cuidado; mas pouco depois a porta se abriu de novo. Minha mulher voltou a fechá-la batendo-a para assegurar-se de que estava bem fechada. Quando se deitou, deixou a luz acesa, pois a repetição do fato deixara-a um pouco nervosa. Mas novamente se abriu a porta pela terceira vez, à plena luz. Minha esposa ficou fortemente impressionada, e teve de armar-se de valentia para descer da cama mais uma vez e ir fechar a porta”.

*** O caso, segundo Bozzano, tem “traços característicos que o fazem inexplicável por meio de qualquer hipótese naturalista (…) e é tanto mais interessante e instrutivo quanto se completa de um modo inesperado com o fato de que o espírito do defunto, cujo cadáver jazia no seu leito de morte naquela mesma casa em que se produziu o fenômeno, assegurou depois de ser o autor, o que contribui admiravelmente para confirmar a tese que nós defendemos”.

Na realidade, porém, diremos parafraseando a Bozzano, o caso tem “traços característicos que o fazem inexplicável por meio de qualquer hipótese espírita”, contribui admiravelmente para confirmar a tese de fenômenos parapsicológicos realizados por quem ainda está vivo, durante a morte aparente.

Aparece claríssimo o preconceito de Bozzano. Quando a “assombração” se produzia, o cadáver jazia em leito de morte naquela mesma casa, poucas horas depois da morte clínica, a morte real não chega tão rapidamente.

As telecinesias produziram-se a menos de 50 metros de distância, no aposento contíguo àquele onde jazia o cadáver. Os fenômenos parapsicológicos de efeitos físicos ocorrem sempre perto do agente, do vivo (ou moribundo, no caso) pois a telergia (ou ectoplasma), é exteriorização da energia corporal do vivo. Para os “espíritos” não há nem telergia nem ectoplasma nem haveria distância…

*** “O espírito do defunto (…) assegurou depois ser o autor”.
– 1) “Ser o autor”. Sim, pode ser. Só que não o “espírito” de um defunto, mas uma pessoa morrendo, durante a morte aparente, corpo e espírito, telergia e psicobulia.

– 2) Na realidade não “assegurou”. Essa afirmação é oriunda do fanatismo de Bozzano, pois o autor nem sequer sabia se tinha obtido êxito no seu desejo: “Tentei acordar Mabel abrindo a porta (…), mas logo me arrependi pensando que poderia assustá-la se me tomasse por um ladrão”.

Pode haver-se captado a telebulia do moribundo, mas certamente é mais lógico atribuir a ação telérgica aos plenamente vivos. Explica-o René Sudre. Bozzano, com a característica falta de lógica dos espíritas, considera que a explicação de Sudre “não podia ser mais forçada, gratuita e complicada”. Sudre argumentava que poderia ser uma captação telepática a respeito da morte (clínica), percebida subconscientemente por alguns dos assistentes e objetivada ( = Projeção de PG) por telecinesia.

Identificação do “morrente” — Posso chamar “morrente” à pessoa que já passou pela morte clínica, que está na morte aparente, que ainda não chegou à morte real?

M. D., rico industrial, tinha um empregado chamado Robert Mackenzie. Um dia M. D., em sua casa em Londres, de repente viu seu empregado, que naquele momento deveria estar na sucursal de Glasgow. Mackenzie suplicou a seu patrão, por quem sentia muita gratidão e carinho, que não acreditasse na calúnia levantada contra ele. E desapareceu. M. D. não teve tempo de recuperar-se da sua estupefação, quando chegou sua esposa dizendo que acabara de receber a notícia de que Mackenzie se suicidara.

M.D., de acordo com a visão, não quis acreditar. Com efeito, o correio seguinte trouxe carta do administrador em Glasgow explicando que Mackenzie não se suicidara, mas que fora vítima de um acidente por envenenamento: bebera ácido sulfúrico pensando que era aguardente!

O aspecto da aparição correspondia exatamente ao que o Dicionário Médico apresentava como característico dos envenenados por ácido sulfúrico. M. D. fizera questão de verificar.
Interpretando a aparição, seu aspecto e suas palavras como procedentes do “espírito” de Mackenzie realmente morto, no seu intento de identificação, tudo seria documento falso.

Mas tudo correspondia perfeitamente à realidade, interpretando o caso como adivinhação, por parte de M. D., do desejo do morrente e do aspecto em que ficara.

O fantasma (se houve!) ou a alucinação correspondente com toda certeza é Projeção de PG por parte de M. D.

*** O benemérito pioneiro e pesquisador Frederic Myers ficou impressionado pela freqüência dos casos em que o conhecimento manifestado pelas aparições “relaciona-se com o aspecto do seu corpo depois da morte (clínica), ou com as cenas nas quais se encontra temporariamente” antes ou pouco depois do enterro.

Myers ficou perplexo porque compreendia com toda razão que vir a comunicar esses detalhes seria “vulgar, indigno de espíritos transportados a um mundo superior”. Sugere então que o “espírito” do morto estaria em plena “confusão de idéias, consecutivas a uma morte súbita ou violenta, que rompe bruscamente as ações profundas” do psiquismo.

Com as descobertas da tanatologia, desconhecidas na época de Myers, fazem-se perfeitamente compreensíveis a freqüência desses fatos e a sua verdadeira explicação. São essas precisamente as idéias e sentimentos que logicamente inundam o inconsciente do morrente e das testemunhas. Isso é o que os vivos captam, sobre o morrente, por PT (telepatia), junto com o aspecto externo captado por PC (clarividência). E projeta a adivinhação: Projeção de PG (Psi-Gamma).

“Mamãe, fiquei descoberta!” — Esta reclamação ou súplica, tão comum numa criança de 1 ano, assume outro aspecto se considerarmos que a menina…
…fora sepultada naquele dia. Carlo D´Alla Argine e esposa ficaram inconsoláveis. Puseram o pequeno corpo num caixão, cobriram-no de flores e ternamente colocaram junto os brinquedos da filhinha. Foi assim que o cadáver foi levado ao cemitério. Naquela noite, vencida pelo cansaço e a dor, a Sra. D’Argine dormia. Não passara uma hora quando sentiu leve toque no ombro e viu sua filhinha que lhe dizia: “Mamãe, a tampa do meu caixão não está fechada, e amanhã vão roubar os meus brinquedos. Diga a papai que venha fechar a tampa”.

O pai, é claro, procurou tranqüilizar a esposa atribuindo o aviso a mero sonho e sofrimento. Mas não passou meia hora e o pai teve a mesma visão.

De manhã bem cedo, o Sr. D’Argine foi ao cemitério. Agora é o coveiro quem garante que todos os caixões chegam á cova conscientemente fechados. Por fim os dois foram ao túmulo, e de fato encontraram o caixão da menina aberto.

*** O espírita Aksakof pretende que o “espírito desencarnado” e bem identificado veio se queixar aos pais por medo de que roubassem seus brinquedos.

Se estivesse realmente morta, a menina não se importaria por seu caixão estar aberto. Se estivesse realmente morta, seu “espírito desencarnado” (?!) nem sequer estaria no caixão. Mas trata-se de pensamentos lógicos do inconsciente da menina morrente.

A interpretação espírita fica ainda mais descartável ante a probabilidade de tudo ser mera clarividência (PC), adivinhação (PG = Psi-Gamma), exclusivamente dos pais a respeito da situação do caixão, sem corresponder a nenhum pensamento da filha.

*** Sto. Agostinho alude a “casos de fantasmas que aparecem para manifestar o lugar onde seus corpos jazem insepultos, reclamando sepultura: seus corpos depois foram encontrados nos lugares indicados”. E a respeito acrescenta: “Tais casos não podem ser negados, dados os muitos detalhes e por haverem sido afirmados por pessoas dignas de crédito”.

Os casos, de fato, “não podem ser negados”. E são relativamente freqüentes.
A respeito repetiríamos as mesmas considerações que fizemos no caso muito esclarecedor da menina com o ataúde descoberto. No máximo seria o pensamento que o inconsciente do morrente teria. Seria ridículo que os mortos, se realmente mortos, se importassem pelo seu cadáver. Se realmente mortos estariam na eternidade, ressuscitados, alma animando o corpo glorioso: claro, ágil, sutil, impassível… (a ressurreição, lindo tema para outros artigos).

E contra o espiritismo ainda fica a outra explicação: a clarividência dos vivos. Acresce a respeito de haverem ficado insepultos que a idéia da necessidade da sepultura -e dos correspondentes cultos funerários de corpo presente- corresponde à religiões antigas e a herdada mentalidade dos vivos de outra época.

O fantasma da estrada — Os casos são freqüentes. Talvez em todas as regiões do mundo e em todas as épocas tem-se falado da “jovem do cemitério”, “o fantasma da estrada” e semelhantes.

Um senhor passava de carro perto do cemitério de Westminster, quando uma jovem, com traje de festa, pediu carona. “Poderia fazer-me a gentileza de levar-me a casa? Preciso muito”. Após verificar que o endereço era na região de Germantown, o motorista aceitou com gosto. A jovem, visivelmente triste, ficou em silêncio durante a viagem.

Bem mais tarde, o motorista percebeu, olhando pelo retrovisor, que a jovem havia desaparecido! Estranhando tão misteriosa alucinação, foi ao endereço que a jovem lhe dera, bateu à porta, veio atendê-lo um senhor idoso: “Eu sei, é minha pobre filha, morreu num acidente automobilístico, quando voltava de um baile. Está sepultada no cemitério de Westminster. O senhor não é o único a quem ela pediu que a trouxesse para casa. Dera Deus que ela voltasse de verdade!”

&& Estes casos são muito citados pelos espíritas e assim ridiculamente interpretados com sua mentalidade alienada. O “espírito”, messes, até anos depois, não sabia que “desencarnara”! O desencarnado precisa muito voltar a casa: é que está querendo tomar banho? O “desencarnado” em traje de festa! Os “espíritos” dos mortos não têm mais o que fazer do que assustar estupidamente motoristas atenciosos?…

Mas logo após o acidente, qual outro pensamento invade a vítima de um acidente automobilístico senão o de pedir auxílio? O local é uma espécie de pergunta implícita (criptestesia parapsicológica) e adivinha-se a mensagem telepática (PG = Psi-Gamma) e projeta-se a imagem (Projeção de PG) da pessoa morrente tal qual ela se conhece a si mesma.

Hoje se desvenda o mistério de Barbados — Há um caso famosíssimo, muito bem documentado. Mais de dois séculos de mistério.

No fim do século XVIII, a rica família Wallronds construiu um túmulo escavado na rocha, fechando-o com pedra de mármore maciço. Mais parecia uma fortaleza, junto à “Christ Church” em Brudgettown, Barbados (Pequenas Antilhas).

Uns anos depois o primeiro membro da família a ser sepultado lá foi Thomasina Goddard, em 1807. Um ano mais tarde o túmulo foi adquirido pela família Chase para sepultar lá uma filha, Mary, criança. Também enterraram uma jovem, em 1812.

Mas quando o túmulo foi de novo aberto naquele mesmo ano 1812 para enterrar o Sr. Thomas Chase, pai da criança e da jovem ali sepultadas, encontraram virados sobre as tampas os dois pesados caixões de chumbo,. E em 1816, quando o túmulo foi aberto para sepultar o corpo de um jovem parente, encontraram os três caixões dos Chase desordenadamente dispostos. O do Sr. Thomas, o mais pesado, estava colocado verticalmente, encostado a uma das paredes da cripta. Curioso: o caixão da Sra. Goddard, intacto.

Aos funerais seguintes, oito semanas mais tarde, acudiu grande número de pessoas, pois os comentários do “mistério do túmulo” tinham-se espalhado. Os selos, postos pelas autoridades de Brudgetown, estavam intactos. Os quatro caixões dos Chase, porém, foram encontrados de novo deslocados!

O próprio governador de Barbados, Lorde Combermere, assistiu pessoalmente no dia 17 de julho de 1819 à disposição das urnas e vigiou a colocação dos selos na enorme pedra de mármore que, cimentada, fechava o túmulo. Voltou lá no dia 18 de abril, quase um ano mais tarde, fazendo-se acompanhar pelo secretário de estado para assuntos militares, o Major J. Finck, e pelo pároco do lugar, Reverendo Thomas Orderson, assim como pelo Sr. Nathan Lucas e outros dois brancos, de prestígio e autoridade na ilha. Havia, além do mais, um grande número de nativos.

Os relatórios assinados pelas testemunhas Combermere, Ordeson e Lucas são reproduzidos por numerosos historiadores, tais como Schomburg no seu “History of Barbados”, Sir J. E. Alexander no seu “Transatlantic Sketches”, que reproduz as memórias de Combermere, etc.: selos intactos… e mais uma vez, os pesadíssimos caixões de chumbo da família Chase estavam desordenadamente deslocados! Apenas o mais antigo caixão, o de Thomasina Goddard, velho caixão de madeira já apodrecida, permanecia imóvel no seu canto desde o dia do sepultamento.

A polícia e diversos peritos não encontraram nenhuma explicação racional. Terremotos teriam deslocado outros caixões, em túmulos adjacentes. Não havia sinais de inundações. Nem havia vestígios, na areia, de qualquer profanação, além dos selos haverem ficado intactos.

O túmulo foi esvaziado de todos os seus ocupantes. Coberto de líquen e outras marcas do tempo, encontra-se abandonado até hoje.

*** Para o simplismo parafrênico dos espíritas, não houve e não há dúvidas: era o “espírito” de Thomasina Goddard que causava toda essa assombração porque não aceitava que o seu túmulo houvesse sido vendido e depois ocupado por defuntos de outra família.

No novo túmulo, porém, para onde todos os caixões foram transladados, Thomasina ficou tranqüila… apesar de ficar exatamente na mesma companhia…

A imaginação de Sir Arthur Conan Doyle, na sua posição de presidente da Sociedade Internacional de Espiritismo, também não teve dúvidas em outra “explicação”: os “espíritos” dos mortos protestavam porque os caixões haviam sido feitos com chumbo, o que impedia a rápida decomposição dos cadáveres.

Mais uma explicação (?) de Conan Doyle: os “espíritos desencarnados” de Thomas Chase e de duas das suas filhas estavam irritados, confusos, desesperados… ainda, pelo que sofreram com seus escravos. Inclusive o pai, Sr. Thomas, fora assassinado pelos escravos,
&& Á luz da parapsicologia, o mistério se esclarece. Dentro da raridade dos fenômenos parapsicológicos, são muitíssimas as telecinesias, aportes, tiptologias etc. durante a morte aparente. Não como ações de “espíritos” de pessoas realmente mortas, senão como ações de morrentes.

Sem a absurda interpretação de Conan Doyle, podem haver influído algumas circunstâncias apontadas por ele: um assassinado (ou suicida, ou acidentado…), que pouco antes estava cheio de vida, de fato demora mais para chegar à morte real. O caixão de chumbo também pode retardar a morte real, adiando a putrefação.

Mas é claro que as telecinesias e demais fenômenos para-físicos só ocorrem nas primeiras horas após a morte clínica e claramente diminuindo no dia seguinte; dois dias depois é absolutamente excepcional…

Em total confronto com a interpretação dos espíritas, não foi o “espírito desencarnado” de Thomasina Goddard, quem provocou os fenômenos. Ela estava realmente morta. Os morrentes da família Chase tinham todas as condições exigidas e comprovadas exaustivamente nos fenômenos parapsicológicos de efeitos físicos: telergia de corpos ainda em “vida”; telecinesias a menos de 50m de distância; atividade psíquica inconsciente ao menos nas primeiras horas após o sepultamento…

Claro está que é possível, também contra a crassa superstição do espiritismo, que alguns, muitos ou todos os fenômenos fossem provocados por algum ou alguns dos sobreviventes e amigos da Sra. Thomasina Goddard. Podem haver ficado profundamente irritados pela venda do túmulo e depois pela presença dos cadáveres da família Chase… É claro que o fechamento do túmulo não é impedimento para a telergia de algum sobrevivente quando estava a menos de 50m de distância. Após um sepultamento ou antes de outro.

Providencial com São Fridiano… – O fenômeno SN, o milagre, é clarissimamente superior às forças do homem e da natureza, como vemos nos artigos sobre estes sensacionais fatos. Mas é claro que Deus pode servir-se, também muito claramente, das forças da natureza. É a chamada Divina Providência Extraordinária. Assim, à luz da parapsicologia, entendem-se hoje muito bem maravilhosos casos acontecidos por exemplo em relação a relíquias e restos mortais dos santos. Algum exemplo entre muitos:

Havia 300 anos que foram dados por perdidos os restos mortais de S. Fridiano, muito venerado na diocese de Lucca (Toscana – Itália).

Era um enterro de uma moça do povo. Baixavam o féretro à cova, quando repentinamente todos ouviram a voz da jovem falecida: “Levem-me a outro lugar! Levem-me a outro lugar! Aqui está o corpo de S. Fridiano”.

Superado o pânico, restabelecida a calma, a moça foi enterrada em outra cova. Assim foram descobertos os ossos do Padroeiro de Lucca, no local onde se ergueu uma igreja em sua homenagem.

Existe a possibilidade do local haver sido uma espécie de pergunta implícita (a técnica tão conhecida chamada psicometria parapsicológica, e antes também criptestesia pragmática e metagnomia táctil) à clarividência (PC) de algum dos presentes, que inconscientemente a projetou pela psicofonia (a telergia transformada em voz), com ecolalia (imitação do timbre de voz).
Mas, é claro, tudo fica mais simples em relação à morrente. É por isso que cito aqui o caso.
Em ambas explicações modernas, deve-se prescindir do termo “milagre ” expresso nas atas. Basta a Divina Providência. E bem clara: surgiu a psicofonia precisamente quando necessária para assinar e exaltar bem claramente o culto ao Santo Padroeiro de Lucca.

…e acrescentado ao milagre de Sta. Catarina — A incorrupção do corpo de Sta. Catarina de Bolonha, assim como a sublime fragrância (osmogênese) que emana do cadáver, certamente são milagres. Mas refiro-me agora a outro fato acrescentado a esses milagres.
Sta. Catarina de Bolonha faleceu em 1463. Como era prática daquelas religiosas, clarissas de estrita clausura, enterraram o cadáver da santa abadessa simplesmente envolvido num lençol, no pátio-cemitério do convento.

Dezenove dias mais tarde, porém, pela fama de santidade, perante a autoridade eclesiástica e imensa multidão, procederam a desenterrá-la para pô-la num ataúde que se haveria de expor à veneração pública. Encontraram o corpo completamente incorrupto, como se pode verificar ainda hoje, após mais de cinco séculos.

Incalculável número de pessoas foi contemplar o corpo exposto na Igreja. Incorrupto, rosado, aromático. Muito mais bonito do que na vida, que abandonara aos 49 anos.

Dizem as religiosas que o cadáver da abadessa lhes sorriu em três oportunidades. Uma menina de 11 anos, Leonora Poggi, foi visitar o corpo da santa. As religiosas confirmaram depois a afirmação da menina. O corpo incorrupto abriu os olhos e com a mão fez-lhe um gesto para que se aproximasse enquanto dizia como se estivesse viva: “Leonora, aproxima-te”. Sem o mínimo espanto, calmamente, a menina se aproximou. Todas então ouviram a defunta afirmar: “Você será feita deste convento. Todos lhes quererão bem. Você será a guardiã do meu corpo”.

Oito anos mais tarde, Leonora Poggi entrava para o convento, onde foi a guardiã de Sta. Catarina durante 55 anos, quando morreu impaciente por unir-se a sua protetora no Céu.
Podem-se dar várias explicações para o caso:

*** 1ª) Não faltará quem queira ver no episódio uma manifestação da Santa ainda não realmente morta, 19 dias depois da morte clínica, e mais “viva” pela milagrosa incorrupção. É por esta explicação (?!) que ponho o episódio neste trabalho.

Tal “explicação” tanatológica é pouquíssimo provável… Ao estudar os milagres refiro casos de Carne incorrupta aos quais se soma o milagre de as células, sangue, etc. continuarem vivas durante séculos: em Lanciano, em Offida, em Odessa, em Siena, em Brena, em Lovaina, etc. Mas tal prodígio dificilmente poderia aplicar-se a este caso de Santa Catarina de Bolonha. Nada há que surgira, nem de longe, que Sta. Catarina de Bolonha, mesmo só morrente estaria suficientemente viva para olhar, mexer a mão e falar… 19 dias depois da morte clínica.

*** 2ª) Também não faltarão os que prefiram uma 2ª explicação: tudo não passaria de alucinação.

Possível? Existe alucinação coletiva em mais de cinco pessoas e sem expectativa prévia? Muito difícil… Todas as freiras da comunidade testemunharam os sorrisos do cadáver da Santa, a abertura dos olhos, os gestos e as palavras.

*** 3ª) Tradicionalmente o caso é considerado pelos hagiógrafos e devotos de Sta. Catarina de Bolonha como milagre de reanimação passageira.

Após dezenove dias, partindo do suposto de que a Santa já estivesse realmente morta (não só morte clínica), tal “explicação” (?!) é a menos aceitável de todas. Deus revivificou muitos mortos, mas não consta nenhum caso de revitalização após a morte real. Nem sequer após 8 dias, quando o morrente já tem muito mais do seu corpo transformado, ressuscitado, eterno, do que ainda fica de corpo físico, mortal. “Do além para o aquém não volta ninguém” é o slogan da Parapsicologia ao tratar da revitalização.

*** 4ª) Teria havido telecinesia e psicofonia inconscientemente provocadas por Leonora.
Partindo do suposto de que a Santa estava realmente ou quase completamente morta, a telecinesia do vivo sobre o cadáver é bem possível. Há casos de influencia em cadáveres, como em objetos físicos, em todos os ambientes. Casos acompanhados de psicofonia (voz). E ecolalia (imitação da voz). O fato de a menina não se haver assustado reforça esta explicação por telergia dela mesma. E típico nos “poltergeist” que o responsável seja o menos surpreendido.

E prodígios no enterro e no túmulo — É claro que não se devem adjudicar aos “espíritos” dos mortos, apesar da enorme confusão de idéias típica dos espíritas, os numerosos milagres realizados por Deus para confirmar a doutrina e santidade de muitos santos, no dia do seu enterro ou concedidos aos que visitam seus túmulos. Por exemplo:

Perante as relíquias de pedaços de roupas de S. João da Cruz (1654-1734), repartidos às centenas no dia do sepultamento do santo, Deus curou numerosas doenças naturalmente incuráveis:

• Como no caso de Ana de Matías, cujas violentas feridas no costado não cicatrizavam com nenhum remédio.

• Como no caso de Pascual Cristiano, que vinha definhando havia seis anos por persistentes cólicas.

• Uma grave hemorragia na cabeça de Miguel de San Pascual, que durante os funerais se ferira com uma alabarda, estancou imediatamente e a ferida cicatrizou à vista de todos.

• Igualmente e a quilômetros de distância do corpo do Santo, quando a Sra. Margarita Falla rezava nos funerais pela vida do seu sobrinho, cicatrizaram imediatamente as feridas sofridas numa queda e o morto voltou à vida, recuperou a saúde e as forças…

• Etc.

Depois do enterro, numerosos outros milagres obtidos de Deus perante as relíquias “atestam as virtudes de S. João da Cruz”. Demorado estudo desses milagres induziu o papa Pio VI, em 15 de maio de 1789, a beatificar o grande místico espanhol. Pio VII, em 27 de abril de 1824, declarou verdadeiros dois outros novos milagres. Novos milagres foram reconhecidos por Leão XII em 29 de setembro de 1824, e ainda novos e numerosos milagres de Deus sobre o túmulo do Santo foram reconhecidos por Gregório XVI que o canonizou em 26 de maio de 1839.

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