Outro caminho?  A cura por meios parapsicológicos receberia o nome de para-iatria ou meta-iatria (raizes de para-psicologia ou meta-psíquica, e iatria do grego ´iatriké = medicina). Paraiatria (à margem da medicina) é termo preferível a Metaiatria (supramedicina), pelos mesmos motivos pelos quais os especialistas modernos preferem o termo Parapsicologia ao de Metapsíquica dos antigos. Etimologicamente o nome Paraiatria, nada mais afirma que um outro caminho de cura diferente do habitual em medicina. Parapsicologicamente pode-se desencadear a atividade do psiquismo? Existe a cura por força parapsicológica ?

A cura da “bicheira” A cura “mágica” (?) da bicheira (mitase) do gado, é um fato testemunhado por inúmeras pessoas e confirmado por observações científicas, como tantas outras vezes, a “Microparapsicologia” ou escola norte-americana de Parapsicologia, está fora dos trilhos. Resume o Dr. Rhine, o mais destacado e fundador dessa escola: “Há ainda um caso, talvez o mais estranho desta série estranha. Entre todos esses efeitos orgânicos de ordem médica (…) não há nenhum que pareça mais interessante, do ponto de vista científico, e mais fecundo do que a velha arte, simples e sem elegância, de expulsar as verrugas e outras excrescências da pele dos animais de fazendas. Não parece convincente supor que só a sugestão possa retirar uma excrescência do animal como, segundo consta, os encantamentos retiram as verrugas dos humanos. No caso do animal é necessário, manifestamente, uma ação psicofísica direta sobre a excrescência mesma. Se os relatos justificam finalmente a conclusão científica precisa de que o curador é verdadeiramente o agente efetivo, então, estes fenômenos são casos de psicocinesia”.

Que disparate! Psicocinesia (PK), ação extrasensorial sobre a matéria, fenômeno que só existe na imaginação da “Microparapsicologia”.

O próprio Rhine conta em outro livro um exemplo de cura da bicheira:
“Uma das mais respeitadas pessoas de minhas relações, uma senhora responsável e culta, conta que sua família ficou impossibilitada de vender uma novilha puro-sangue, por tantas verrugas que nela nasceram. Um indivíduo da localidade, afamado como capaz de fazê-las desaparecer, deu ao tratador algumas palavras que deveria pronunciar enquanto alimentava a novilha… E dentro em pouco as verrugas desapareceram. Bastante rapidamente para impressionar a família, embora não se tivesse realmente conscientizado do tempo decorrido”.

Por que cura? Prescindimos de muitos casos em que a bicheira cai espontaneamente: a bicheira tem seu tempo para se desprender. Um vaqueiro e curandeiro observador e espertalhão encontra o modo de realizar seu ritual, precisamente quando prevê que a bicheira amadureceu e vai cair, e encontra mil desculpas em outras oportunidades. É uma primeira explicação para alguns casos.

Mas o fato é que, outras vezes, alguns curandeiros curam a mitase. Será que a vaca acostumada a obedecer ao homem, ao dono animado pelo curandeiro, anima-se e ativa as defesas do próprio organismo? É uma possível explicação, rara para outros casos, com vacas “de estimação”.

Mas, não basta: como dizia Rhine, “parece difícil atribuir o efeito à sugestão”…, ao menos, acrescentamos nós, em casos de cura de bicheira em gado meio selvagem que pouco ou nada obedece… É necessário, da análise dos fatos, concluir por algum influxo energético do curador (não PK, senão telergia, fenômeno do qual a Microparapsicologia não conhece nem o nome).

Pesquisa Os parapsicólogos da “Society for Psychical Research” de Calcutá, após um rigoroso estudo, chegaram às seguintes conclusões 1º) Nem todas as pessoas podem curar a bicheira; 2º) O curador tem um dom especial, inalienável. Se pretender ensinar o “modus operandi” a cinqüenta pessoas, talvez uma só ou nenhuma conseguirá êxito; 3º) A cura independe totalmente dos meios empregados.

Cada curador tem seu próprio ritual, às vezes dos mais absurdos. Com efeito, nós temos comprovado que uns recortam a pegada da vaca no céspede e lhe dão a volta; outros cortam uns pedacinhos dos pêlos da cauda e os enterram; outros pegam a babosidade da boca do animal e parte introduzem na orelha esquerda da vaca e parte queimam; uns sussurram fórmulas misteriosas e supersticiosas do mais baixo espiritismo na orelha da vaca; outros, naquele dia, vão à Missa e rezam o terço para ainda recitar outras orações raras e absurdas na presença do animal; há quem de inumeráveis passes sobre todo o corpo da vaca; outros impõem a mãos sobre a bicheira, etc.

Curandeirismo e Umbanda. É claro que a criancinha não se ugestiona, mas a mãe fica convencida... e quando acudir ao médico pode já ser tarde.

Curandeirismo e Umbanda. É claro que a criancinha não se ugestiona, mas a mãe fica convencida… e quando acudir ao médico pode já ser tarde.

Às mesmas conclusões, há já bastante tempo, em 1898, chegara um médico brasileiro, Dr. A. Felício dos Santos, após pesquisar o caso da cura da bicheira nos campos de Minas Gerais. Além do mais, realizou um amplo inquérito obtendo inúmeras respostas de fazendeiros e veterinários de todo o Brasil.

A telergia – A telergia pode murchar uma planta ou matar uma animalzinho. Evidentemente explicarmos este poder sobre animais pequenos e plantas. devemos deixa-lo para outra oportunidade, ao estudarmos o popularmente chamado “mau olhado”.

No homem – O caso da cura de mitase pode servir- nos de introdução à análise dos diversos hipotéticos modos de cura parapsicológica no homem.

Devemos distinguir quatro hipóteses teóricas de influência parapsicológica no campo do curandeirismo:

1) Influxo energético, influência física (telergia, extranormal, EN) do curandeiro agindo na presença do doente.

2) Influxo espiritual, influencia extra-sensorial (PK, paranormal, PN) do curandeiro agindo independentemente do tempo ou da distância do doente.

3) Influência do próprio doente sobre o próprio organismo, sendo estimulado à distância, no tempo ou no espaço, pelo curandeiro.

4) Influência do próprio doente sobre seu próprio organismo ou doença, sendo a presença do curandeiro e seu influxo uma espécie de catalisador ou estímulo dessa atividade.

PRIMEIRA HIPÓTESE 
Influxo energético do curandeiro agindo na presença do doente. O curador exterioriza uma energia (telergia), transformação da própria energia orgânica.

É evidente que se algumas pessoas podem matar animais pequenos com a sua telergia, também podem curar a “bicheira” da vaca, matando esses bichinhos ou fazendo-os cair (telecinesia). A telergia pode atuar sobre a “bicheira” da mesma maneira que golpeia (tiptologia) ou movimenta objetos (telecinesia). Acreditamos que todas as inumeráveis provas que se aduzem para demonstrar a existência da telergia, tiptologia e telecinesia, são outras tantas provas incontestáveis do possível influxo parapsicológico sobre a “bicheira”.

Ora, pode acontecer algo análogo com o homem? Tema complicado. Iremos por partes.

Nas plantas e na carne Entre as numerosas experiências que têm demonstrado que alguns psíquicos (nome dado às pessoas que manifestam fenômenos parapsicológicos) podem influir mediante sua telergia sobre animais pequenos e plantas, algumas podem nos orientar no tema do curandeirismo no homem por telergia.

Assim, por exemplo, os Drs. Clarac e Llaguet comprovaram que uma senhora, Da. Rosália Cataldo, podia mumificar tecidos vivos com a imposição das mãos, sem tocá-los. De 15 a 20 minutos demorava ela em dissecar flores, conservando-se a cor aderência das flores ao talo. Enquanto os outros sucos de uva, usados como comparação, se alteravam em três dias, o suco idêntico sobre o qual ela colocava as mãos se mantinha sem fermentar. Em 13 dias dissecava moluscos, ou pelo contrário, conservava pescados sem que perdessem suas cores naturais. Órgãos extraídos de animais, principalmente o fígado e o baço, conservava-os sem putrefação e sem cheiro nenhum. Sangue de coelho ficou vermelho durante 21 dias, secando-se depois sem nenhuma putrefação, ficando os glóbulos inalterados na forma ao exame microscópio. Deteve imediatamente a putrefação iniciada de um canário, mumificando-se o cadáver em cinco dias.

O prestigioso pesquisador e diretor do “Institut Métapsychique Internacional” de Paris, Dr. Gustavo Geley, verificou estas experiências. Pessoalmente constatou que inclusive sem evisceração, animais relativamente grandes se conservavam tão perfeitamente, após a imposição repetida das mãos da psíquica, que se podiam empalhar. Verificava-se que os parasitas microbianos eram destruídos indiretamente, pela resistência dos tecidos.

Faculdades parapsicológicas, como mera possibilidade, sem manifestações, todas as pessoas têm. Nesse sentido são faculdades normais. Emissão de telergia num grau ao menos ínfimo todo o mundo pode manifestar, ao que parece, alguma vez.

Uma experiência que às vezes pode ter êxito. O leitor poderá repeti-la. Escolhe-se um pedaço de carne crua. Impõe-se-lhe as mãos durante um par de minutos (ou mais, segundo os resultados), de forma que as extremidades dos dedos, inclinadas sobre a carne, fiquem a uma distância de um centímetro dela. Renovando-se a operação por 5, 6 ou mais vezes por dia, se necessário, observar-se-á que o pedaço de carne escurece, seca e pode depois ser conservado quase indefinidamente. Outros pedaços de carne idêntica, não submetidos a este processo, entrarão em putrefação. Nem sempre se obtém êxito…

Nos animais Os Drs. Bernard Grad, Remi Cadoret e G. I. Paul realizaram um interessantíssimo trabalho sobre a ação da telergia exteriorizada por um homem simples que mediante a imposição das mãos, “curava” feridas cirúrgicas feitas num grupo de 300 ratos brancos de laboratório.

O parapsicológico não é comum: os resultados foram esporádicos. Mas indiscutivelmente provatórios.

As pesquisas foram realizadas em trabalho conjunto por parapsicólogo do Departamento de Fisiologia da Universidade Mc. Gill, de Montreal.

Ora, à vista desses fatos, não se pode esperar que a telergia possa curar doenças do homem? Interessante pergunta.

Voltamos assim ao tema do “magnetismo”. Mesmer acreditava que as “curas” e convulsões prévias se deviam ao “magnetismo” ou “fluido”, que, dirigido pelo magnetizador e emanado pelas pontas dos dedos, atuava sobre os nervos do paciente e, indiretamente, sobre qualquer parte do organismo.

O mesmerismo na antigüidade. As teorias e práticas que Mesmer pretendeu elevar à categoria de arte terapêutica regular, sempre se tentaram utilizar.

Entre as descobertas do antigo Egito, encontram-se, sobre o muro de uma habitação, hieróglifos que se referem à arte de curar: vê-se um sacerdote em atitude de “magnetizar” um paciente por meio de passes.

Segundo Ennemoser, o “magnetismo” era praticado nos templos de Ísis, de Osíris e de Sérapis. Os sacerdotes da época praticavam a imposição das mãos com intenção terapêutica.

Na Ásia parece que desde a Antigüidade até nossos dias se utilizou o “magnetismo”.
Paracelso (1493-1541) e Van Helmot (1577-1644), entre outros, conheciam o “magnetismo” na Medicina.

Na antiga Roma existiam “tocadoras”, certas mulheres especiais que tocavam ou passavam as mãos suavemente sobre a parte doente para aliviar o paciente. Não se tratava em absoluto de meras massagens.

Caso parecido seria o costume universal de que a mãe, uma pessoa sadia, ou o próprio doente ponha a mão sobre a parte dolorosa…

Tratando-se de terapia empregada mais ou menos regularmente, é evidente que não se tratava geralmente de “magnetismo”, de telergia, de força parapsicológica e sim de sugestão e outros fatores psicológicos. Assim foi demonstrado, nascendo o hipnotismo.
Mas, alguma vez, esporadicamente, poderia haver emissão e cura por telergia? É o tema que aos ocupa.

A origem de um mito – “O rei te toca, Deus te cura” tem sido um “slogan” e uma prática que alcançou muito prestígio durante séculos.

Suas origens são muito antigas. Plutarco conta que o rei de Épiro “curava” cólicas e doenças do baço fazendo que o paciente deitasse, de costas, e então o rei passava o dedo gordo do pé sobre as costas do supersticioso súdito. O paciente, cheio de fé e emoção, “sarava”…

Também o historiador Célio Espartanus atribui costume e façanhas semelhantes ao imperador Adriano.

O “toque real” posteriormente foi adotado por muitos monarcas demagogos ou condescendentes da Inglaterra, a partir de Eduardo, o Confessor. Dele teriam herdado tal direito e poder os seus sucessores. As antigas crônicas referem inumeráveis casos e “êxitos” terapêuticos do “toque real”.

Em seguida os monarcas franceses decidiram imitar tão prestigiosa prerrogativa: também os reis franceses eram ungidos por óleo sagrado no dia da sua coroação! Existia uma lenda tradicional entre o povo, segundo a qual o óleo das sagrações reais tinha sido trazido diretamente do céu por uma pomba o dia da conversão de Clóvis!

O Toque Real – A imposição das mãos para “curar” foi “bem sucedida” aparentemente (salvo realmente nos milagres ou casos de Divina Providência especial) em reis de muito prestígio, tais como Eduardo O Confessor, São Olavo, o imperador Adriano, o rei da Noruega, Felipe I de França, Carlos imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Carlos II de Inglaterra, etc.

Durante muitos séculos existiu o costume do Toque Real. Assim, por exemplo, na França, durou dez séculos. Era principalmente aplicado a “curar” a escrófula (ulcerações ou fístulas, com tumores ganglionares, tanto se era manifestação da tuberculose ou da sífilis, como provocada por outros micróbios e fungos patogênicos).

Cerimônias do mais absurdo curandeirismo na análise moderna, naquelas épocas eram consideradas ritual religioso. Realizavam-se nas grandes solenidades, como a coroação do rei, sua visita a alguma cidade, e na véspera das grandes solenidades religiosas, tais como a Páscoa, Pentecostes, Todos os Santos, Natal…

Milhares de pessoas se acharam “curadas” pela imposição das mãos do rei. Somente numa sessão, em 1430, Filipe de Valois tocou 510 escrofulosos. Henrique III, na sua passagem por Poitiers, em 1577, tocou mais de 5.000. Luís XIV, sem sair de Paris, realizou mais de 5.000 toques entre 1694 e 1697. No dia das suas sagrações como reis, Luís XIV e Luís XV realizaram cerca de 2.000 toques cada um.

Após a morte de Luís XV já não quiseram os reis seguintes continuar atribuindo-se dons, que não tinham mais fundamento do que a superstição do seu povo. Carlos X, demagogicamente, tentou renovar o costume, mas sem êxito e houve por bem desistir: já tinham desaparecido o prestigio sugestionador do Toque Real na maioria dos franceses, ficando unicamente como uma lembrança histórica de crendices, preconceitos e costumes injustificáveis em pessoas esclarecidas.

O médium espírita Geraldo de Pádua absorveria a doença num copo (!). Para melhor enganar: No "Templo Universalista Jesus Cristo" (!!).

O médium espírita Geraldo de Pádua absorveria a doença num copo (!). Para melhor enganar: No “Templo Universalista Jesus Cristo” (!!).

E por telergia? – O “toque que cura”, é possível que em algum rei alguma vez tivesse uma ação mais objetiva, telérgica? Mas, a telergia cura? Haveria, como tantos acreditam, “transmissão de energia”?

O toque plebeu Algumas outras pessoas, plebéias, tiveram também grandes “êxitos” com a imposição das mãos.

Um dos mais famosos foi Valentin Greatrakes, da Irlanda, ex-juiz de paz em Cork, homem dedicado à meditação e contemplação. Diziam que muitas vezes curara a escrófula. 

Sua esposa não acreditava nesses milagres nem sequer nesse poder misterioso que lhe referiam do seu marido, o que mostra, ao menos, que o êxito ou milagre não era regular.

Uma vez, meio brincando, a esposa desafiou-o a tentar curar uma criancinha com escrófula muito dolorosa nos olhos, maçãs do rosto e pescoço. Humildemente perante o jocoso desafio, Greatrakes impôs as mãos sobre as partes afetadas da criança, e “dois dias depois o olho estava quase são” e o pescoço expulsara o pus. Um mês depois, a criancinha “estava perfeitamente curada”.

O médico Dr. Stubbes pretendeu explicar os motivos do êxito de Greatrakes com palavras que poderiam ter sido emprestadas de Mesmer, se prescindirmos da terminologia e mentalidade próprias da época: “O corpo de Greatrakes está composto de fermentos peculiares, cujos eflúvios se introduziam nos corpos de seus pacientes ao tocá-los. Tais eflúvios (…) dissipam a doença”.

Erro de apreciação Exporemos mais detalhadamente em outro artigo (e já explicamos no livro “As Forças Físicas da Mente”) que o Dr. Jussieu, menos partidarista e mais objetivo, se negou a assinar a conclusão completamente negativa das comissões reais contra o “magnetismo” ou “mesmerismo”. O Dr. Jussieu soube distinguir muito bem entre habitual e exceção. Habitualmente, os efeitos atribuídos ao “magnetismo” não eram mais do que sugestão ou hipnotismo. Mas excepcionalmente havia também “magnetismo”?

Quando publicado, o parecer das comissões esteve muito longe de convencer a todos os sábios. Sessenta anos depois a Academia haveria de retratar-se por ter endossado a conclusão dos comissionados reais contra o “magnetismo” mesmérico. Mas pouco depois retratava-se da retratação! Grandes sábios e nomes de prestígio, sem deixar-se influir pelo desconhecimento da maioria, compreenderam e admitiram a existência do “magnetismo” deslindando-o mais ou menos dos exageros e crendice.

Parecidas ou idênticas idéias expuseram o filósofo Bouillet, o físico Ampère, médicos e fisiologistas famosos como Aubin Gauthier, Hénun de Cuvilliers, Teste Lafontaine, Charpignon, Dupau, Du Potet, Despine, Lausanne, Morin, Oliver, Perrier, Recard, etc.

Assim, por exemplo, Deleuze descrevia o “magnetismo” como uma emanação oriunda de nós mesmos (nada dos fluídos universais de Mesmer), comandada pela vontade. “Magnetizar -acrescentava Deleuze- para curar, é socorrer com sua vida a vida enfraquecida de um ser que sofre”.

Esta última definição é que precisamos discutir…
O tema, parapsicológico, não normal, superava a capacidade da ciência daquela época. Após muitas vicissitudes e polêmicas, a Parapsicologia moderna terminou dando a razão a Jussieu, a Durand de Gros, a Braid, etc. no sentido da existência do “magnetismo”, a telergia, como manifestação excepcional.

Mas o problema é: a telergia age sobre outras pessoas? Segundo Mesmer, o “magnetismo” só pode ser aplicado por uma pessoa, que poderíamos chamar super-sadia, cheia de saúde ou, como diz o povo, “com saúde para dar e vender”. E o “magnetismo” só poderia ser aplicado aos doentes: faltos de vitalidade. “Um corpo em situação de harmonia é insensível ao magnetismo (…) Pelo contrário, um corpo que perde a harmonia, embora ordinariamente não seja sensível ao magnetismo, agora é (…) Curada a doença, o magnetismo perde seu influxo. A aplicação do magnetismo cresce com as doenças”.

Escrevia Charpignon, refletindo a tese dos mesmeristas: “O fluído magnético, como todos os outros fluídos, é dinâmico, é a força vital. Acumulá-lo no sistema nervoso é, pois, aumentar as forças da vitalidade”. Com “fluído vital” (ou telergia) recebido do “magnetizador”, aumentariam as forças do paciente para poder se recuperar.

Um homem extraordinário. A Angelo Achile, “o mago de Nápoles”, se atribuem “curas”… Estudado em 1947 por uma comissão de parapsicólogos da “Societá Italiana de Metapsíquica”, comprovou-se que, de fato, às vezes emitia telergia. Às vezes manifestava um potencial elétrico de até 200 milivolts (o normal oscila entre 24 e 40) e nestas circunstâncias realizava algumas telecinesias incontestáveis, movimentando sem contato pequenos objetos ao seu redor.

As “curas” eram devidas também, ao menos em parte, a essa telergia realmente exteriorizada às vezes por ele? A telergia “vitalizava” o doente? A comissão de médicos e parapsicólogos da “Società” testemunhou no Congresso Internacional de Parapsicologia, celebrado em Saint-Paul-de-Vence, que foram admitidos os fatos de emissão telérgica, mas que se reserva “todo juízo sobre sua eficácia terapêutica”.
Também o Dr. Patini publicou um trabalho demonstrando a “exteriorização de energia” por Angelo, mas nada a respeito de curas.

E uma mulher extraordinária. A Sra. Tommasini, estudada pelos Drs. Boschi e Ruata, com a imposição das mãos “curava” a artrite, paralisia, neurite, etc. Inclusive, após algum tempo, úlceras.
Tais “curas” da Sra. Tommasini eram alguma vez parapsicológicas, mediante a emissão da telergia, como opinava a própria Sra. Tommasini? Ela dizia que experimentava um esvaziamento do seu organismo, decréscimo de força, agitação nervosa, dores difusas… A emissão de telergia faria uma curva ascendente e depois descendente a julgar pelos efeitos na Sra. Tommasini.
Em prol da “cura parapsicológica”, por telergia, apresentam fatos como a “cura” de um bebê pós-mielítico, onde a hipótese de sugestão e outros fatores psíquicos pareceriam excluídas… (na realidade os bebês captam muito do ambiente, reagem como por osmose).

A telergia cura? Não negamos que, às vezes, tenham os curandeiros emitido telergia. O problema na realidade é outro: havendo emissão de telergia em algum caso, a telergia pode de fato curar? Quando se segue a “cura”, deve-se mesmo à telergia ou se deve à sugestão e a outros fatores psíquicos? Qual é a influência da telergia?

Contusão na perna direita do Romário justo nas vésperas da Copa do Mundo. O médium espírita Jandyr Motta e colaboradores impondo ás mãos sobre a chuteira do ogador, inclusive com a participação de D. Lita, a mãe. E novamente cinco dias depois. No entro Espírita Seareiros de Jesus"(!!) Garantiram a cura. Inútil. Fracasso total. D. Lita ficou tão decepcionada que teve que ser levada ao médico. Felizmente o que não conseguiram os curandeiros espíritas com pretendidos médicos do além, o conseguiu o fisioterapeuta Nilton Petrônio, contratado pelo craque.

Contusão na perna direita do Romário justo nas vésperas da Copa do Mundo. O médium espírita Jandyr Motta e colaboradores impondo ás mãos sobre a chuteira do ogador, inclusive com a participação de D. Lita, a mãe. E novamente cinco dias depois. No entro Espírita Seareiros de Jesus”(!!) Garantiram a cura. Inútil. Fracasso total. D. Lita ficou tão decepcionada que teve que ser levada ao médico. Felizmente o que não conseguiram os curandeiros espíritas com pretendidos médicos do além, o conseguiu o
fisioterapeuta Nilton Petrônio, contratado pelo craque.

Talvez deveríamos citar experiências, numerosas, que pretendiam ter demonstrado o poder curador da telergia. Talvez as mais famosas sejam as do Dr. Ferdinando Cazzamali, professor de Psiquiatria da Universidade de Módena. Pretendia ele ter demonstrado que o homem emite um fluído (antropoflux = fluído humano), que designava com a sigla “R” (de “Radiante”). Pretendia que esse fluído curava. Veremos em outros artigos (e já vimos no livro “As Forças Físicas da Mente”), que tal fluído foi muito discutido, ao menos como emissão normal e freqüente, não passando em todo caso de esporádica emissão telérgica de algumas pessoas. Portanto, e indiscutivelmente, as “curas” freqüentes, regulares, de doenças (funcionais, histéricas, psicógenas) em regra não eram devidas à telergia, ao fluído “R”. Excepcionalmente houve alguma “cura” pelo influxo da telergia? Aquelas experiências certamente não o demonstram…

Auto-refutação Ora, é manifesto em primeiro lugar que tal transmissão de telergia não pode ser nem constante nem freqüente. Se assim fosse, o curandeiro, que exteriorizando telergia se sente debilitado (?), com poucas tentativas de “cura” ficaria completamente esgotado. E sem “superavit” a transmitir, passaria a absorver o pouco “fluído” do doente para compensar o próprio “deficit”… O paciente ficaria ainda mais esgotado!

A teoria do “vampirismo psíquico”, como coisa regular, logicamente é refutada pelos próprios inventores!

É autêntico? Ao famosíssimo curandeiro, engenheiro Jean Béziat, se atribui, em numerosas revistas e jornais de propaganda espírita, uma “cura” prodigiosa:

Uma pobre mulher residente em Reines tinha a perna corroída por uma úlcera varicosa. O aspecto era horroroso. Em certos lugares o osso estava exposto. A doente, abandonada pelos médicos, veio ver Béziat. O próprio curandeiro, à vista da extensão e profundidade da úlcera, duvidou que pudesse conseguir algum sucesso. Tentou, porém, impondo as mãos na doente. No dia seguinte, a mulher sentiu a perna rígida “como se tivesse sido secada num forno”, mas não tirou as ataduras. Dois dias depois, ao retirá-las, todos puderam ver a perna completamente restabelecida e os tecidos cicatrizados, enquanto sua cama estava cheia de escaras oriundas da ferida. Algumas semanas depois não havia nenhuma diferença entre a perna tratada e a outra, a não ser pequenas cicatrizes.

Cicatrização instantânea de uma úlcera com recuperação instantânea de substância, certamente seria milagre. Se fosse verdadeiro!! Só Deus faz milagres, como demonstramos em outras series de artigos (e nos livros “Os Milagres e a Ciência” e “Milagres, a Ciência confirma a Fé”.

E dissemos “se fosse verdadeiro”, porque neste tão cacarejado caso há muitos pontos obscuros. Já vimos no artigo nº 2 da série anterior sobre este mesmo tema, que os exageros são praxe geral na propaganda dos curandeiros, e muito mais ainda se são espíritas. Uma verdadeira máfia dos dirigentes. Falta uma verificação científica antes, durante e depois da imposição das mãos. Afirma-se que se tratava de úlcera varicosa em que aparecia o osso, mas também se diz que a perna estava com ataduras que só foram tiradas dois dias depois. De fato Béziat e as supostas testemunhas viram a úlcera? Deve-se confiar naquelas testemunhas, se as houve? Onde estão os testemunhos médicos? Quais médicos comprovaram e quais provas certas podem apresentar de que era úlcera, de que penetrava até o osso, etc.?

“Se fosse verdadeiro”, realmente parece difícil acreditar-se que tudo teria sido efeito da sugestão, por mais que esta pudesse coadjuvar. Seria necessário neste caso isolado atribuir à telergia um efeito cicatrizante? Não há indício nenhum para atribuir a recuperação de substância diretamente à telergia! A recuperação de substância só poderia ser atribuída, é claro, à própria natureza e seu poder regenerador normal pela multiplicação celular, pouco a pouco, durante alguns meses, uma vez eliminada pela telergia a ulceração. Essa ação da natureza foi ativada pela telergia?

Glaucoma e coágulo.
 Havia em Bordeaux um senhor que manifestava algumas vezes telergia. Não teria permitido que se revelasse seu nome, quando uma “cura” notável foi realizada por ele. Aparece simplesmente com a inicial Th.

O Dr. Maxwell, doutor em Medicina e procurador-geral de Bordeaux, padecia de glaucoma em ambos os olhos. O glaucoma é dessas doenças que pareceriam aptas ao influxo da telergia, pois trata-se de cicatrizar e secar o excesso de líquido. O glaucoma é uma doença mais freqüente entre as pessoas de idade, decorrentes muitas vezes dos estados psicológicos de grande ansiedade e tristeza. Consiste na penetração de humores no olho, provindos dos vasos sangüíneos existentes na vizinha zona ciliar. Por qualquer inflamação do olho, a íris é projetada para a frente contra a córnea, facilitando-se a infiltração: o humor acumula-se no globo ocular e a pressão dentro dele aumenta. Com o excesso de pressão, podem-se destruir as fibras do nervo óptico.

Quando o Dr. Maxwell procurou o Sr. Th., estava já quase cego. Os professores da Faculdade declararam inoperáveis aqueles glaucomas (assim chamados pela coloração cinzento-esverdeada: do grego glaukós = verde pálido). Com repetidas imposições das mãos do Sr. Th., durante algumas semanas, o Dr. Maxwell ficou completamente curado. Quando o Sr. Th. Foi acusado de curandeirismo, o médico e procurador-geral Dr. Maxwell interpôs toda sua autoridade em defesa do seu benfeitor.

Algum tempo depois, já com 77 anos de idade, o Dr. Maxwell foi atingido por uma paralisia na metade esquerda do corpo (hemiplegia). Os eminentes professores, que o examinaram, foram unânimes em declarar como causa da hemiplegia um coágulo que se formara na região cervical.

Sendo muito difícil de dissolver o coágulo por meios químicos e não se atrevendo a um delicada operação cirúrgica, o Dr. Maxwell acudiu ao seu estimado Sr. Th. As sessões “magnetizadoras” pela imposição das mãos realizaram-se perante o médico assistente e um professor da Faculdade de Medicina de Bordeaux. Na quinta sessão, o coágulo já estava tão dissolvido que não oferecia perigo algum para a circulação. Maxwell estava curado.

Seriam realmente maravilhosas tais “curas parapsicológicas”… Mas o de sempre: foi a telergia do Sr. Th., ou foi a “força curativa da natureza” do próprio Dr. Maxwell, exaltada pela sugestão?

A telergia em dermatologia. “Certos casos isolados dos efeitos de PK sobre doenças da pele, quando aplicada por alguma pessoa especialmente dotada de faculdades parapsicológicas”… (PK, termo e faculdade inexistente com que a micro-parapsicologia da escola norte-americana designa os efeitos que, se reais, se devem à telergia).

Ora, a reconhecida raridade dos casos e a possibilidade de outras explicações, como os efeitos da sugestão, tornam muito criticáveis essa afirmação de um micro-parapsicólogo.

Numa revista médica (lamentavelmente nem todos os médicos conhecem parapsicologia) publicou-se o caso de um senhor de 39 anos, de Marselha, que sofria de desagradáveis coceiras nos glúteos, entre as pernas e no escroto. De noite as coceiras lhe impediam totalmente o sono, com o que se sentiu cada vez mais debilitado e esgotado. O estado de nervos e a irritabilidade estavam chegando ao limite do desespero. Só tinha algum alívio com banhos de assento em água fria. As coceiras complicaram-se após seis meses com escoriações. Aos 50 anos de idade, as escoriações propagaram-se à mucosa do ânus, ocasionando dores horríveis durante as evacuações.

Resultaram inúteis os tratamentos mais variados: pincelamentos, pomadas, auto-hemoterapia, injeções intravenosas com água de Uriage, insuflações de novocaína… Impotentes para cura-lo os dermatologistas de Marselha recomendaram e começou a tratar-se em Paris, com os melhores especialistas. Fracasso total no Hospital Broaca, fracasso total no hospital St. Louis, fracasso total no hospital St. Michel… Segundo a expressão do prestigioso dermatologista do hospital St. Michel, a Medicina dava “sua mão à palmatória”.
Observara-se que uma primeira série de radioterapia ocasionara uma melhora relativa durante quinze dias, mas a segunda aplicação não teve nenhum efeito. Foi então que se pensou, por analogia com a radioterapia (?) e em desespero de causa, tentar o tratamento por magnetismo mesmérico (digamos telergia) a ser realizado sob o controle dos médicos pela psíquica Sra. Clerk, esposa de um importante diplomata estrangeiro.
A imposição das mãos da Sra. Clerk sobre as partes afetadas do paciente foi realizada diariamente por dois meses. Após três semanas de “cura magnética”, observou-se uma notável melhora quanto às dores durante as evacuações. Dois meses mais tarde, a “cura” era completa.

Neste caso pareceria pouco provável atribuir os efeitos à sugestão ou eqüivalentes. Aliás, o próprio desenvolver da “cura” pareceria mostrar que era devido ao influxo da telergia emanada das mãos de Lady Clerk: com efeito, não era em todas as sessões que se obtinha alguma melhora, mas quando havia melhora, esta se apresentava indefectivelmente após algumas horas de imposição das mãos, e depois a melhora permanecia completamente estável, sem aumentar nem regredir, até depois da outra sessão de imposição das mãos.

O Dr. Morlaas apresentou à “Societè Médico-chirurgicale des Hôpitaux Libres”, um relatório deste caso, com toda a documentação científica, assim como de outros 3 casos semelhantes de “cura” obtida pela imposição das mãos da Sra. Clerk: líquen róseo plano, eczema profissional nas mãos de um padeiro e eczema profissional de lavadeira com flebite na perna esquerda.

Lady Clerk, claro está, nem sempre obtinha êxito, mas o fato de não ser único o caso, mas corroborado por mais outros três… Seria argumento que faria plausível aceitar que os resultados eram devidos à telergia da Sra. Clerk durante a imposição das mãos?
Ou em último caso foi telergia dos próprios doentes?

O Dr. R., interno do hospital de Bordeaux, tomou estes casos e outros praticamente idênticos como tema de sua tese doutoral em Medicina (sem saber Parapsicologia?!).

O que concluir? Em Parapsicologia é inegável a existência da telergia; é inegável que algumas pessoas exteriorizam telergia algumas vezes; é inegável a atuação da telergia alguma vez sobre objetos, sobre plantas, sobre animais pequenos, sobre pedaços de carne cortada, etc.

Tem-se observado que todos os casos bem comprovados de aparente influxo terapêutico da telergia no homem têm denominador comum: trata-se de secar, de cicatrizar, de paralisar os agentes patógenos ou de efeitos análogos. Semelhante ao influxo da telergia em animais ou em pedaços de carne…

É um aspecto certamente limitado, não é a telergia um fator diversificado, aplicável a vários tipos de doenças. Mas embora delimitado, não deixaria de ser importante, se fosse confirmado! Porque contra todas as explicações de “cura” por telergia, cabe sempre a explicação por sugestão e outros fatores.

O problema é muito maior: a telergia de fato atua sobre o homem?
É inegável que a telergia não age sobre outra pessoa… Num caso de “poltergeist” ou “casa mal assombrada”, por exemplo, os objetos levados pela telergia não dão golpes a outra pessoa diferente do próprio psíquico (a não ser de ricochete, ou inércia, não ainda levados pela telergia)… Em qualquer efeito telérgico, ao passar-se a mão entre o psíquico e o objeto, interrompe-se o fenômeno, “corta-se a linha da força”.

É inegável que à telergia pode-se aplicar à título de comparação a lei do magnetismo: “Forças do mesmo signo se repelem”. Um homem não atua sobre outro homem por telergia. Pode, sim, atuar sobre si mesmo, não sobre outro…

Não obstante, os casos citados, certamente excepcionais mas não únicos, bem observados, advogam pela realidade de algum influxo telérgico em certas “curas”. Sim, mas incontestavelmente não pode ser influxo da telergia do curandeiro… Será que o curandeiro seria uma espécie de catalisador da telergia do próprio paciente?
Como conclusão da sensacional polêmica secular: nada derruba a tese da reta Parapsicologia de que na realidade não existe influxo telérgico de uma pessoa em outra. Só do psíquico em si mesmo.

Sendo assim, o tema é diferente: passa às hipóteses 3 e 4 das propostas e negritadas no início. Deveremos tratá-lo nos próximos artigos desta 2ª serie.

5 Comentários

  1. Felipe Fagundes

    Desculpem-se a sinceridade mas parece obvio que o Institulto de Pe Quevedo é tendencioso, pois apenas cita pesquisas que podem dar fundamento ä hipotese ante-espiritca, ou seja, quaquer trabalho, pesquisa ou hipotese que se assemelha pu serve para explicar a hipotese do magnetismo, deve ser descartado! E as muitas pesquias que favorecemn a hipotese de um campo de caracteristicas magneticas saindo das maos do :curandeiro:!!! Uma propria religiosa Justa Smith, assumiu essa semelhanca!!!

    1. Marcia Cobero

      Felipe: no livro “As Forças Físicas da Mente”, em dois tomos, há análise de todas as alternativas para o fluido, magnetismo, energia (ou outros termos) exteriorizados por seres humanos. É uma leitura bem interessante!

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