As marcas digitais predendidamente do “espirito” do juiz Station Hill.

Nas “casas mal-assombradas” alguma mocinha complicada há recorrido às impressões digitais dos “espíritos” dos mortos. Alguma vez, rara vez. Mas nas suas sessões, os espíritas freqüentemente pretenderam reproduzir esse tipo de “assombração” e identificação de “espíritos”.

(Lembro mais uma vez aos leitores que costumo pôr “espíritos ” entre hastas, porque não há espíritos de mortos. Há homens vivos e homens ressuscitados. Corpo físico animado com alma espiritual, e corpo glorioso -claro, ágil, sutil, impassível- também animado inseparavelmente com a alma espiritual. Corpo e alma eternamente formando uma unidade, a mesma pessoa).

A grande Margery — O famosíssimo médium Kluski ainda estava ativo em Varsóvia com suas moldagens trucadas, quando sua fama ficou completamente eclipsada pela atuação num fenômeno análogo -impressões digitais em parafina- realizadas pela médium Margery,
Margery é o pseudônimo de Anna Stindon (Mina, para os íntimos). Esposa do Dr. Crandon, cirurgião muito conhecido em Boston, Mina recebia os pesquisadores em sua casa, com toda vivacidade e encanto. Nascida em Toronto, foi educada em ambiente de espiritismo. A mãe era médium psicógrafa. O irmão, Walter Stindon, ganhou certa notoriedade como médium de telecinesias. Walter morrera em 1911, e Mina achou que ele era seu espírito guia e que falava por sua boca quando entrava em transe. Margery, ou Mina, deu sessões principalmente de aportes em Winnipeg (Canadá).

Passemos por alto, pois, as luvas de parafina. Refiro-me aqui às sessões de impressões digitais.

Não vou me deter na análise, só uma alusão ao caso, muito divulgado na época de Margery, do… Juiz Hill. Deixara suas marcas digitais bem nítidas sobre cera sólida, e as entregou ao círculo espírita de Margery. Se pudesse, depois de morto, viria deixar suas marcas digitais de novo sobre a cera.

*** E com efeito. Aconteceu tudo como previsto! As marcas eram idênticas!

Deixou com o grupo de Margery. Anunciara tudo ao grupo de Margery. Materializou-se com a médium Margery. O grupo de Margery apresentou os resultados… Fácil demais!! Que garantias há, de fora do grupo de Margery!, de que ambas as impressões não foram feitas antes da morte do juiz Hill… precisamente com o grupo de Margery?

As melhores sessões – Com Margery. De impressões digitais em parafina foram as que Mina fez nos Estados Unidos para a SPR (Society for Psychical Research) americana, e em Londres para a SPR inglesa. Numerosos homens de ciência intervieram nas sessões, merecendo destacar-se Mac Dougall, Drieshe e Tillyard que, além de cientistas famosos, eram experimentados em parapsicologia.

É sabido que o Dr. Bertillon demonstrou que as papilas digitais de uma pessoa são invariáveis e que jamais duas pessoas têm as mesmas marcas.

As discussões na América do Norte a respeito das impressões de Margery (e de todos os outros fenômenos por ela realizados) estenderam-se por 10 anos. A SPR americana, sob a coordenação de Brackett K. Thorogood, dedicou três volumes à correspondente análise.

*** Tillyard, da SPR e da Sociedade Real, fechou-se sozinho com a médium para maior controle e impôs todas as condições que lhe pareceram oportunas. Ficou completamente convencido não só da autenticidade dos fatos, senão inclusive da interpretação espírita (!?). Margery estaria imprimindo, em parafina não muito dura ou em cera de dentista, as marcas digitais do polegar… dos espíritos (!?). Vários pesquisadores verificaram que as marcas digitais em várias sessões não eram da médium. Nem de nenhum dos assistentes.
Verificou-se que algumas dessas marcas digitais eram idênticas às deixadas na navalha de barbear que Walter -seu irmão e “espírito guia”- usara em vida.

De início, é muito estranho que as marcas digitais de Walter, só começassem a aparecer nas moldagens, 9 anos depois da sua morte….

E mais suspeito ainda, que conservassem a navalha de barbear, por mais de 20 anos…
Mais: as marcas deixadas na navalha foram comparadas com as marcas digitais anteriores sempre atribuídas a Walter. E… o conhecido metapsíquico Dudley verificou e publicou que as marcas na navalha não eram de Walter, eram de um dentista, membro do círculo dos Crandon em Boston! O dentista confessou tranqüilamente.

Foi uma bomba para os espíritas e para os propagandistas espíritas.
Antes, em Londres, a SPR inglesa verificara que algumas marcas digitais atribuídas a Walter eram na realidade da própria Margery! Há, pelo menos, quatro formas de marcas digitais diferentes!!, do polegar de Walter em diversas moldagens.

Por outro lado, o conjunto das impressões de Margery deixa muito a desejar. Não são aquela perfeição que a propaganda espírita pretende. Não são nem sequer o que caberia esperar da modelação e absorção de ectoplasma…

O conjunto dos fatos impõe inapelavelmente a explicação por fraude. Há moldagens grosseiras. O pesquisador Dudley -entre outros- fez graves críticas a todo o conjunto.

Margery concorreu a um prêmio ou desafio na América do Norte. De quatro juizes escolhidos, só um, entusiasta (=fanático) espírita, concedeu o voto a favor.

As moldagens de Margery perante os pesquisadores da Universidade de Hereford (Inglaterra) foram consideradas truques.

Margery morreu em 1944 esquecida já pelos parapsicólogos…, e quase também pelos espíritas.

Advertência – Mas não estou pretendendo negar que alguma vez, espontaneamente, Margery realizou alguns fenômenos parapsicológicos autênticos, principalmente aporte. É bem possível que inclusive algumas impressões tenham sido ectoplasmáticas (do vivo!), não fraudulentas.

O correto é que muito antes de se recorrer à intervenção e identificação de algum “espírito” de morto, as moldagens e as marcas digitais não fraudes conscientes ou inconscientes, devem ser explicadas pela ideoplasmia, a idéia inconsciente de Margery, suas lembranças e adivinhações inconscientes, moldando seu ectoplasma:

*** Foi comprovado em 1932 que Margery fazia também impressões de mãos e marcas digitais de pessoas vivas e ausentes da sessão. Entre elas de Sir Oliver Lodge.
Estes fatos, se excluíssem plenamente a fraude, certa e plenamente excluem a identificação espírita: seria identificação de vivos…

A grande Eusápia Palladino — Há algum outro realizador de impressões digitais aceito ou justificável pela ciência?

O Dr. Otero Acevedo foi da Espanha a Nápoles na exclusiva intenção de verificar por si mesmo se Eusápia Palladino era capaz de obter, em condições irrefutáveis, uma impressão em argila.

Mas Eusápia pôs e impôs as condições da experimentação. O sábio espanhol preparara um prato com argila fresca. Mas Eusápia marcou o momento da experiência: no fim da sessão, ela indicou o lugar onde o prato deveria ser posto: diante dela, numa cadeira, a 2m de distância. Acevedo, após verificar que não havia marca nenhuma na argila, cobriu o prato com um lenço, por ordem de Eusápia. Tudo acontecia a plena luz.

“Todas as pessoas tinham os olhos fixos em Eusápia”, que supostamente estava em transe. Ela, então, dirigiu a mão em direção ao prato, fez alguns movimentos mais ou menos misteriosos, e exclamou: “Pronto”.

Quando se retirou o lenço, verificou-se que na terra argilosa havia a impressão perfeita de três dedos.

*** O Dr. Acevedo, em carta a Aksakof, garantiu que não tinha a menor dúvida da realidade do fato apesar de ter ido a Nápoles e assistido à sessão como negador intransigente.

Eusápia era e demonstrou sempre ser habilíssima trucadora (ao menos durante a inconsciência do transe). Até onde iam a experiência para lidar com médiuns e os conhecimentos parapsicológicos e de mágica do cientista espanhol?
Na manipulação do prato e ao cobri-lo e descobri-lo com o lenço, ninguém mergulhou os dedos?

O prato, em nenhum instante, saiu do olhar do Dr. Acevedo, quando “todas as pessoas tinham os olhos fixos em Eusápia”, que chamava a atenção sobre sua gesticulação?

Falhas e técnicas de Eusápia — De todas as descrições de impressões de marcas digitais, as mais detalhadas são a respeito de Eusápia Palladino.

As experiências realizaram-se em Montfort-l’Amaury. Dentro da tenda escura havia um prato com um “bolo” de pasta mole (de vidraceiro), coberto por uma toalha.

*** Na primeira sessão, nada se conseguiu. Pelo visto, Eusápia foi pega desprevenida…

Na segunda sessão, prato e massa foram lançados repentinamente entre os pesquisadores Fontenay e o casal Z. Blech:

*** “Sobre a margem do bolo se encontra uma bela impressão, profundamente escavada, de um polegar e dois outros dedos (…) Mas não se vêem nem as unhas nem as impressões digitais”.

Em tão grosseiras marcas de dedos, que possibilidade há de identificação espírita?
*** A pedido, Eusápia, rapidamente, na escuridão, atrás das cortinas, imprime três dedos. Agora com unhas e marcas digitais.

Soltara uma das mãos. Fontenay e os Blech atestaram que não houve controle. Eles próprios cancelaram a experiência. Manifestamente foi um vulgaríssimo truque de Eusápia na inconsciência do transe.

Terceira tentativa. Fontenay movia as mãos e não tinha posto ainda o prato de massa sobre a mesa, quando sentiu a pressão exercida de cima. “Imediatamente verificaram a posição das mãos de Eusápia”.

*** Ao acender a luz, aparecem impressos cinco dedos, com unhas e impressões digitais. Foi rapidíssimo. Fontenay sentiu não só a pressão sobre o prato, mas inclusive “uma mão de temperatura normal”.

É legítima a dúvida. Eusápia nunca foi tão rápida na realização de fenômenos.
Tudo indica que o truque foi feito antes de se exercer controle sobre as mãos. De nada adianta verificar depois “a posição das mãos de Eusápia”. Não se apresentou a contraprova satisfatória que se pedira.

Mais ainda, o absolutamente indispensável seria comparar as marcas digitais das impressões com as da própria Eusápia. Não foi feito. Isso invalida plenamente não só a absurda identificação do “espírito” do morto, senão inclusive a própria realidade, não fraudulenta, da impressão ectoplasmática.

Realiza-se uma terceira sessão. Desta vez aparece o molde do perfil de um rosto. Eusápia assegura que é o do seu “espírito guia”, John.

*** Que prova há de que Eusápia não imprimiu fraudulentamente o próprio rosto? Os pesquisadores (com tanta ingenuidade? Com fanatismo?) acenam para o fato de que a massa expelia cheiro de linóleo; o rosto de Eusápia, não.

Argumento fraquíssimo: evidentemente o cheiro no rosto é bem mais fraco, a pressão não foi forte, a massa não grudava nas mãos ou no rosto, o cheiro apagava-se misturado com o da própria nada limpa Eusápia…

O mínimo que se poderia exigir é que o molde não se parecesse com Eusápia; Fontenay nada diz a respeito! Publica fotocópia, mas com a mesma ingenuidade (?) escreve que “desgraçadamente a figura saiu confusa e emaranhada” e põe a culpa nos impressores da gráfica!

Todo o ambiente e modo como foram conduzidas e apresentadas essas famosas experiências com circunstâncias mal precisadas, desordenadas, cheias de pormenores alheios aos objetivos visados, servem como exemplo de falhas técnicas, de como não devem ser as experiências científicas.

Algumas outras experiências, com controle ainda pior, foram realizadas posteriormente com Eusápia.

*** Publicaram-se fotografias de oito impressões de rostos. (Uma outra impressão de rosto está pouco marcado e confuso).

É sumamente suspeito que as oito impressões representem sempre o mesmo rosto: simples diferenças de pressão e expressão. Formato do rosto, supercílios e queixo, nos oito moldes, identicamente proeminentes, orelha pequena e com a mesma configuração, boca pequena, etc. E esse modelo é excessivamente parecido com o rosto da própria Palladino! “Manifestamente esta figura é a de Eusápia”, diz Richet.

Os espíritas garantem — Que ninguém pense em colaboradores imediatos nas experiências que o Dr. Wolfe dirigiu com a médium Hollis: “O Dr. Wolfe estava só com a médium”.

A plena luz. Assentaram-se à mesa. Uma toalha preta cobria toda a mesa e chegava ao chão, menos numa abertura por onde entrava uma terceira cadeira, em cujo assento o Dr. Wolfe pusera um prato com farinha. Apareceu uma mão bem diferente da mão do “espírito guia”, Jim Nolan. A mão desapareceu depois de haver planado uns instantes por sobre o prato. Reapareceu cinco minutos depois e deixou sua impressão profunda na camada mole da farinha.

O Dr. Wolfe mandou buscar outro prato de farinha, e logo se fez a impressão de outra mão.

*** O Dr. Wolfe verificou que na mão da Sra. Hollis não havia o mínimo resíduo de farinha. Verificou também que a impressão da primeira mão era quase o dobro do tamanho da mão da médium. A segunda impressão, também maior que a mão da médium, era iual à do “espírito guia”. O mesmo fato haveria sido constatado por outra testemunha, o Sr. Plimpton, um dos editores de um jornal de Cincinnati…

Há garantias científicas de que se trata de verdadeiro fenômeno ectoplasmático? Não. A descrição é típica das sessões dirigidas por pessoas cujo senso crítico já está obnubilado pela mentalidade hipnótica de prática espírita…

Para excluir a possibilidade de colaboradores, afirma-se que “Wolfe estava só com a médium”; mas depois fala-se de outra testemunha, o Sr. Plimpton. E fala-se também de que foi pedido outro prato, certamente não aos “espíritos” dos mortos… Ambas contradições são fornecidas na mesma revista espírita, e ambas são referidas em seguida por Aksakof no seu livro em que ainda, antes de rejeitar plenamente o espiritismo, pretendia aceitar segundo os casos as duas interpretações: “Animismo e Espiritismo”, dos vivos e dos “espíritos” dos mortos.

*** Wolfe, Plimpton e Aksakof afirmam tranqüilamente que o tamanho de uma das mãos impressas era maior, a outra igual ao da mão do “espírito guia”.

Mais provas da típica mentalidade obnubilada, fanática, pela superstição: qual o tamanho da mão do “espírito”? A segunda impressão era maior que a primeira: uma maior e outra menor do que a mão que pretendem ter feito a impressão? Como é que mãos diferentes podem servir para identificar o mesmo “espírito guia”?

Dedo polegar com impressões digitais do “espirito” (!?) Por Eusapia Palladino.

Parecia estupendo — O diretor e um dos oficiais da prisão e o médico G. H. costumam reunir-se com o pastor anglicano Rev. Switt, em seu escritório. Tendo um dia a conversa declinado para o espiritismo, decidiram programar umas sessões com a irmã do oficial, famosa médium.

Dispuseram sobre uma mesinha várias placas de vidro nas quais havia cânfora. A famosa médium nada, absolutamente nada conseguiu. Nem na primeira, nem na segunda, nem na terceira, nem na quarta…. apesar de haver sempre vários dias entre sessão e sessão.

Pelo visto a famosa médium foi pega desprevenida e precisou de bastante tempo para arquitetar a fraude, contando com a colaboração do seu irmão, oficial da prisão… Até que depois de tanto tempo conseguiu preparar o pré-moldado para o truque:

*** Na Quinta sessão, primeiro um grito estridente. Depois, durante um quarto de hora, um show de convulsões no pretenso transe violentíssimo. O médico comprovou e teve de tranqüilizar todos os assistentes: “Apesar da violência do ataque, a médium não corria nenhum perigo”.

É claro, pura histeria, mais ou menos consciente, mais ou menos responsável, como em milhares de sessões de todo tipo de superstições. Só se pretende impressionar as testemunhas. E neste caso distrair a atenção dos inexperientes observadores, aliás imóveis, atados a uma “cadeia magnética” (?!), por exigência dos “espíritos guias” (?).

Quando, por fim, “voltamos nossa atenção para as placas de vidro enfumaçado, vimos em duas delas várias impressões de dedo, claramente definidas. Bem estudadas, certamente não eram de nenhum dos presentes à sessão. Então o oficial da prisão sugeriu que se procurasse na coleção do gabinete dactiloscópico, sob sua responsabilidade”.

*** “Comprovou-se que correspondia às impressões digitais de um preso político que morrera doze anos antes no cárcere”.

&& Que casualidade, a sugestão proveio precisamente do oficial da prisão, irmão da médium, e o original dactiloscópico constava na sua coleção…

E falsa defesa – Em outras muitas experiências, alguns parapsicólogos puseram na parafina, na argila, na farinha, no pó de giz, na fuligem…, substâncias químicas incolores que depois adquiriam determinada coloração. Se o médium tocasse a massa, não adiantaria sacudir a mão ou o dedo, nem sacudi-los… Freqüentemente assim se detectou a fraude grosseira.

*** Mas os espíritas, no seu “entusiasmo” não desistem. Isso só mostraria que o “espírito” do morto se serve do ectoplasma tirado do médium. Quando o médium reabsorve seu ectoplasma manchado, a mancha passa à sua mão.
&& Deixando de lado o absurdo recurso ao “espírito” do morto, claro está que a moldagem, quando real, é feita com o ectoplasma do médium. Mas para moldar uma mão o ectoplasma tem de sair precisamente da mão? Para o pé, do pé? Para os dedos, dos dedos?

Isso é contra a realidade comprovada — Nos casos um tanto menos suspeitos, de qualquer tipo de fenômeno ectoplasmático, o corante apareceu em outras partes do corpo do médium. Por exemplo:

*** Katie King (Florence Cook transfigurada), com o Dr. William Crookes, manchou os dedos com anilina.

&& Não apareceram manchados os dedos de Florence Cook, senão em um dos braços. Katie sujou um pouco a extremidade da mão com tinta violeta e não se sujou a mão de Florence, senão o cotovelo.

*** A Srta. Goligher, completamente imóvel, com as pernas atadas à cadeira e os pés presos a uma barra de madeira com argolas de ferro, era perfeitamente visível na luz da sala. A chamada “haste psíquica”, espécie de braço ou pseudópode, imprimiu na argila muitas marcas, e inclusive formou uma bola de argila deixando-a ao lado do recipiente.

As mãos de Goligher ficaram completamente limpas. O excelente pesquisador W. J. Crawford, um dos grandes pioneiros da parapsicologia, verificou que havia manchas de argila e dos corantes no chão no percurso de meio metro que a haste ectoplasmática tinha de fazer entre a médium e o prato de argila. Também havia marcas de argila e de corantes em diversas partes, principalmente do interior dos sapatos, nas meias até acima dos joelhos, nas cordas que amarravam as pernas de Goligher, nos pés, nos tornozelos, na barriga das pernas por dentro das meias, nas pernas por cima das meias, e nos órgãos sexuais e nas nádegas. Havia também em todos esses lugares partículas microscópicas do pó recolhido do assoalho.

E inversamente sobre o prato de argila encontraram-se marcas perfeitamente nítidas do tecido das meias que marcaram o ectoplasma, e partículas dos materiais dos sapatos, fios das meias, partículas de pó do assoalho…

No Brasil, no mínimo muita pretensão — Publicações e comentários que chegaram do Brasil espantaram todos os centros de pesquisa parapsicológica da Europa. Os pesquisadores do Instituto Metapsíquico Internacional, IMI, de Paris (então dirigido pelo célebre e extraordinaríssimo parapsicólogo Dr. Eugène Osty) estavam atônitos. O médium paulista Carmine Mirabelli seria “o melhor do mundo”, o melhor médium de toda a história. Seria preciso rasgar todos os livros de metapsíquica e parapsicologia, pois só apresentariam microscópicos fenômenos em comparação com os prodígios realizados pelo colossal médium espirita Mirabelli! Todo tipo de fenômenos!

*** O Instituto Metapsíquico Internacional convidou Mirabelli a ir a Paris; Hans Driesh, para ir à Universidade de Leipzig; H. H. Theuniss, para ir à Holanda; etc. E, claro, Mirabelli não foi.

No Brasil acenderam-se as críticas pelos não contaminados pelo espiritismo. Enorme polêmica. Inclusive com ruidoso processo nos Tribunais de Justiça contra tanto exagero e mentiras da propaganda espirita.

Entre as façanhas atribuídas a Mirabelli, não podia faltar a moldagem, comprovada -segundo afirmam os “mestres” do espiritismo- pelos maiores cientistas no Brasil.

Sobre um prato de farinha, trancado a chave numa caixa de madeira, apareceu a moldagem da mão do “espírito” nada menos que de César Lombroso!

E de outras mãos… (O máximo, porém, tinha de acontecer com o rei dos médiuns) Com Mirabelli realizou-se a impressão, em matéria plástica mole, do rosto do “espirito” de Jesus Cristo!

*** Isso mesmo: o próprio Jesus Cristo era (afirmavam!) o ”espírito guia”‘ numa sessão de “evocação mágica espírita” (palavras textuais). E plasmou seu retrato como documento de identificação… Mais ainda: em outra sessão o “espírito guia” Jesus de Nazaré imprimiu em gesso sua mão… e o corpo inteiro!

No seu livro, o deputado espírita Eurico Góes chegou ao descaramento parafrênico (melhor parafrenia do que mentiras) de mostrar a fotografia destas impressões!

&& E falam de espiritismo cristão!! Mirabelli dizia-se católico!! Mas com essas moldagens do “espírito” de Cristo, então Cristo não haveria ressuscitado! Se não ressuscitou, donde teria surgido Sua Mão, Seu Rosto, Seu Corpo inteiro?

Mesmo que no cúmulo da pretensão os espíritas tivessem razão ao considerar essas moldagens como formadas pelo ectoplasma de Mirabelli, isso provaria que Mirabelli foi capaz de imprimir no plástico a lembrança que tinha de algum desenho ou imagem representando a Cristo. Ectoplasma e ideoplasmia de Mirabelli, nada de identificação…
E em contradição com as próprias teorias espíritas, que pretendem que Jesus já teria reencarnado!

Mirabelli imprimir agora o Rosto que Cristo haveria tido naquela “reencarnação” (!?) na Palestina, também não seria identificação, seria falsidade, pois o “Espirito” nem o próprio Cristo já não existiriam…

Etc., etc. Ser espírita é ser cego intelectualmente, ou parafrênico: loucura localizada (pois, repito, seria pior acusa-los de intenção de enganar…).

IMPRESSÕES MILAGROSAS?

O “espírito quia” Walter, da medium Marjery imprimiu seu polegar em cera dendal. Os pesguisadores comprovam que as digitais de Walter (á esquerda) eram na realidade as do dentista de Marlery. (à direita).

*** No intuito de igualar os milagres, fenômenos SN, divinos, às minúcias humanas do espiritismo e seitas, como máximo fenômenos EN (extra-normais) e PN (para-normais), Mirabelli dizia hipocritamente que sua grande moldagem havia sido por milagre de Deus, que havia sido o próprio “espírito” de Cristo que imprimira Sua Mão, Rosto ou Corpo Inteiro.

É blasfêmia atribuir aquelas impressões e mesmo truques a Deus!
O milagre, para fins de pesquisa, pode ser descrito como “um fato perceptível, no nosso mundo, por força não de nosso mundo”. A pesquisa posterior demonstrou que milagres, corretamente diagnosticados, só há em ambiente judaico antigo, depois só cristão e depois exclusivamente em ambiente católico. Conclusão fecunda, até estarrecedora, tema fascinante que deverá ocupar-nos em muitos artigos…

*** Segundo uma tradição milenar, Cristo deixou impressas as marcas dos seus pés gloriosos, de luz, sobre a rocha donde se elevou na Ascensão. Lado de Jerusalém. No monte das Oliveiras. Ainda hoje são mostradas essas marcas ao público.
&& Nada menos que os bolandistas -as maiores autoridades na pesquisa histórica dos verdadeiros ou falsos milagres- aceitam o fato como certo historicamente.

“Os discípulos imitam seu Mestre” — O historiador D. Piolin, na sua monumental e bem-documentada história, prova que não parece discutível um fato semelhante:

*** São Julião, evangelizador na França, no inicio do século II, deixou as marcas dos seus pés sobre a rocha, em Maus, na Campanha, como milagrosa profecia de que toda França seria católica.

*** Quatro séculos depois, a meados do século VI, outro discípulo imitou o milagre do seu Mestre, embora em circunstâncias muito diversas:

*** Os agricultores de Picardy recorreram a S. Medardo para dirimir suas disputas sobre os limites das suas terras. S. Medardo julgou a causa, e fez colocar uma enorme pedra marcando a divisa das terras das duas cidades em disputa. Para dar maior autoridade. S. Medardo deixou milagrosamente impressas as marcas do seus pés sobre a pedra divisória, na qual subira para proclamar sua decisão.

Os bolandistas garantem a veracidade histórica dos dois milagres citados.
*** No cárcere Mamertino, em Roma, no ponto onde atualmente se desce para o Tulliano, vêem-se sobre a parede de pedra as marcas de um rosto. Diz a tradição ser o rosto de S. Pedro, que miraculosamente tê-lo-ia deixado impresso quando foi atirado contra aquele ponto por um algoz.

Não há base sólida para avalizar tal tradição popular.
*** A tradição popular também afirma que Sto. Antônio de Pádua (ou de Lisboa) teria impresso uma cruz sobre o mármore de um dos degraus do coro da catedral de Lisboa.
&& De que Sto. Antônio milagrosamente gravou uma cruz no mármore da catedral, há documentos de valor, como os recolhidos pelos hagiógrafos Azevedo e Gugaral. E só. Tudo o mais dessa tradição é duvidoso ou rejeitável.

*** Outro hagiógrafo, cognominado simplesmente de “Cônego Regular”, recolheu documentos que falam não de uma, mas de cinco cruzes no mármore ou na pedra, Sto. Antônio as teria impresso quando criança, apenas com passar o dedo.

Inflação de moldagens. Claramente indício de lenda popular. E claramente falso o fundamento para a impressão das cruzes:

Sto. Antônio as teria feito para afugentar o diabo, que lhe aparecia em forma de cachorro!
Absolutamente inadmissível que Deus fizesse milagres em confirmação de uma interpretação falsa. Estão certos os bolandistas quando negam também tais aparições demoníacas.

Os bolandistas, porém, consideram plenamente inegável a impressão deixada por São Bont -ou Bonet -bispo de Clermont:

*** Na vigília da Festa da Assunção de Nossa Senhora, São Bonet decidiu passar toda a noite em oração na Igreja de São Miguel. O santo, sentindo que perdia as forças pela emoção da celebração da Santa Missa apoiou-se numa das colunas da Igreja. Como a pedra se convertesse imediatamente como em plástico mole, lá ficou para sempre incrustada na pedra, quando de novo dura, a silhueta completa de São Bont. Do dia seguinte em diante, durante muitíssimos anos, multidões visitaram as marcas milagrosas.
Há outros muitos casos.

Alguns, ou muitos, podem ser milagres; outros certamente são lendas construídas precisamente com base nos milagres autênticos. De alguns casos a discussão continua:
*** *Como no caso da fenda na rocha que haveria feito S. João de Berveley a golpe de espada sobre a rocha de basalto perante o rei Eduardo I, em Scotch, para provar que a Escócia sempre estaria sob a coroa da Inglaterra.

&& Seria muito interessante a verificação histórica e a análise científica do conhecidíssimo caso, no Brasil,

*** das marcas sobre a pedra da entrada da Basílica de N. Sra. Aparecida. O cavalo do fazendeiro estancou sobre a pedra, grudou nela como se a pedra fosse de cola líquida. Quando o fazendeiro desistiu de perseguir o escravo que acudira ao refúgio da Padroeira do Brasil, a pedra soltou o cavalo e as marcas dos seus cascos ficaram até hoje como lembrança do milagre.

&& Em todo caso, todos estes fatos citados, milagres, possíveis milagres e lendas são impressões de ou em relação a vivos, e por poder divino. No fundo, constituem assinatura divina na doutrina católica e “Palavra de Iahweh” no tema das impressões, contra a absurda interpretação espirita de assombração e identificação de “espíritos” e também contra a doutrina atribuída aos espíritos.

2 Comentários

  1. Maurício Franco

    Caros,
    não me considero espírita, embora seja simpático aos seus ideais e idéias. Sou muito cético quanto a “milagres” de qualquer tipo, seja ele associado a espíritas ou a “santos” católicos.
    Por interessar-me por toda a forma de estudo sério dos fenômenos paranormais, peço que me expliquem a razão de ter sido dito (transcrevo do texto de http://institutodeparapsicologia.com.br/?portfolio=impressoes-digitais-dos-espíritos ) “Mas com essas moldagens do “espírito” de Cristo, então Cristo não haveria ressuscitado! Se não ressuscitou, donde teria surgido Sua Mão, Seu Rosto, Seu Corpo inteiro ?”. Afinal, há o pressuposto de que os espíritas creem na ressurreição? Ou que Ele tenha de ter passado pela ressurreição para que seu rosto se tenha impresso na tal massa ? O que não compreendi foi qual é afinal a opinião do autor quanto à razão para a impossibilidade de ser de Jesus a impressão.
    Deixo aqui claro que não creio, e também não creem os espíritas sérios, que Cristo se preste a esse tipo de manifestações.

    Grato

    Maurício

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