Molde de gesso tirado de dentro da luva de parafina.
Em artigos anteriores ficou demonstrado que até os principais “mestres” do espiritismo tiveram que reconhecer que os fenômenos para-físicos são… caminho errado para suas pretensões de provar a intervenção dos “espíritos” dos mortos nas chamadas casas assombradas e nas imitações ou provas que eles pretendem nas sessões de espiritismo.

À procura de “identificação de espíritos”, alguns outros “mestres” do espiritismo resistem a descartar todos os fenômenos de efeitos físicos. Querem apoiar-se e citam com detalhes aqueles casos em que os “espíritos” haveriam deixado os moldes e luvas de mãos com características marcantes feitos em parafina; e as impressões digitais… feitas em argila, massa de vidraceiro, gesso, ou sobre fuligem, pó de giz, farinha etc.

Atenção – É muito importante advertir desde já que não estamos negando a ecto-colo-plasmia (do grego ectós = exteriorizado, cólon = parte; plasméin = moldar). Representação de parte de alguma pessoa, animal ou coisa: ectoplasma formando um rosto, uma mão… O que pretendemos neste e no próximo artigo é analisar se as luvas, moldes, impressões… ao menos algum deles, têm ou não algum valor como prova da intervenção de algum espírito de morto. E também frisamos uma diferença importantíssima: uma coisa é algum fenômeno de ecto-colo-plasmia, raro, espontâneo, numa “casa mal-assombrada”, fenômeno possível; e outra coisa certamente charlatanesca é a pretensão de médiuns e espíritas de dominar a manifestação do fenômeno nas suas sessões habitualmente, com dia e hora marcados. E até em exibições públicas…

As luvas – Este método -em geral chamado de “mão que funde”- foi idéia do prof. William Denton, geólogo e conferencista norte-americano. Obteve luvas com a médium Mary M. Hardy. Inclusive em público, no Paine Hall de Boston, em Charlestown, Portland, Baltimore, Washington etc. A idéia e o método para obter delicadas luvas de parafina é o seguinte: Preparam-se dois recipientes, um com água fria, outro com água quente. Na superfície deste último, há uma camada de parafina derretida. A temperatura de fusão de parafina é baixa: pouco mais de 40 graus. Se um dedo, mão ou rosto ectoplasmático mergulharem no recipiente quente e imediatamente na água fria -ou ficando ao ar por algum tempo-, formará com a parafina uma luva. Repetindo o processo, a luva constará de finas capas e multiplicará a espessura. Quando se reabsorver o ectoplasma, ficará a luva com todos os detalhes. Dentro da luva ou do molde pode-se verter delicadamente gesso líquido. Quando este se tiver solidificado, pode-se fundir a cera em água fervendo, e se obteria assim a imagem perfeita da mão ectoplasmática…

A idéia é importantíssima. O prestigioso escritor e prêmio Nobel de literatura Werner Keller escolheu e apresenta algumas destas experiências como absolutamente confiáveis… no sentido de provar o fato, o fenômeno da ecto-colo-plasmia.

Muitos “mestres” do espiritismo, porém, cheios de entusiasmo insistem em que com este método podem obter perfeita identificação do espírito do morto.

Para a parapsicologia há, pois, dois objetivos: Primeiro, excluir a fraude. Segundo, nos casos sem fraude, provar se é mesmo e só o ectoplasma e direção do médium, do vivo, e se há algum argumento, mesmo que fosse leve, para atribuir alguma coisa à intervenção do morto, ou… As primeiras experiências

As experiências do prof. William Denton com Mary M. Hardy, não eram públicas senão realizadas na presença do marido da médium, Sr. Jahn Hardy, e na sua própria casa. Nenhuma outra testemunha além do próprio Denton.

Estes dados, que os espíritas evocam em defesa da confiabilidade dos fenômenos como não fraudulentos, na realidade falam contra. Na sua própria casa era mais fácil preparar qualquer truque. Denton estava em desvantagem para observar… O marido logicamente estava interessado na fama da sua esposa, profissional da mediunidade, é o menos indicado para pesquisa científica. É de lamentar-se não haver nenhuma outra testemunha isenta e experiente…

Denton não avisou à médium do que pretendia.
Mas avisou por carta ao marido!

E antes da sessão todos os preparativos com recipientes, água fervendo, parafina, água fria, obscurecimento ao redor dos recipientes sob a mesa (porque os “espíritos” dos mortos não suportariam a claridade -!?) eram feitos com a colaboração do próprio casal Hardy e postos sob a mesa antes de a médium sentar-se e, logicamente, bem antes de entrar em transe.

Denton diz que a Sra. Hardy mantinha as mãos “à distância de alguns centímetros” do recipiente com parafina. Uns quarenta centímetros, precisa o Sr. Hardy.

Mas expressamente se diz também que o controle sobre as mãos da médium era superficial, sem contato, e que as mãos da médium entravam freqüentemente sob a mesa, em direção ao recipiente de parafina, fora do alcance visual dos dois “observadores”! E ninguém exercia controle sobre o Sr. Hardy, marido da médium…

Obtiveram-se numa “série de sessões, de quinze a vinte moldes de dedos de Diversos tamanhos (…) O maior desses dedos, o polegar do Grande Dick -como nos foi designado- tinha o dobro de meu polegar. A menor dessas formas, com uma unha distintamente desenhada, corresponde ao dedo rechonchudo de uma criança de um ano”.

Acontece que a parafina, quando ainda quente, é elástica e amoldável, com facilidade pode-se ampliar a luva movendo o dedo ou a mão por dentro do molde para representar o dedo ou a mão do suposto espírito Big (grande) Dick. E com facilidade pode-se reduzir, pressionando o molde por fora. Qualquer inabilidade, Denton a explica… simploriamente:
“Sucedeu por mais de uma vez inutilizarem-se as formas em conseqüência de estar a parafina ainda muito mole”.

Pretendendo provar a identificação dos “espíritos”, acentuam que…
“Todas as linhas, as cavidades e os relevos que se vêem nos dedos humanos
sobressaem com muita nitidez”.

Deve-se levar em consideração que o próprio Denton ingenuamente frisa que…
A semelhança dos dedos humanos com os moldes ou formas de parafina
acontece “principalmente nas maiores ou naquelas que se aproximam por suas dimensões dos dedos da médium”.

Elementar, caro Watson!: luvas “dos dedos da médium”! Denton acrescenta que…
“Sucedeu-me por muitas vezes ver sair de sob a mesa dedos ainda cobertos de parafina”.
Oferece isso alguma nova garantia contra a fraude? É isso identificação dos espíritos dos mortos? Interessaria a comparação das marcas digitais dos moldes com as da médium e as do seu marido. Não foi feito!!!

Que se vejam dedos ainda cobertos de parafina, é na verdade mais a favor da fraude, porque, como o mesmo Denton afirma a outro respeito, caindo de novo em admirável ingenuidade, “mergulhando um dedo em parafina fundida, ela se destaca facilmente do dedo”. Isso facilita o truque.

O grande trunfo – Alexandre Aksakof, antes de reconhecer que os efeitos parafísicos nada provam a favor do espiritismo, e outros autores espíritas posteriores apresentam como último e maior trunfo que…

A médium Hardy obteve moldes quando o recipiente de parafina estava dentro de uma caixa de madeira tampada com tela metálica e recoberta com tampo de madeira, selado. Hardy concentrou-se em transe por meia hora. Comprovou-se que o selo não havia sido violado. Ao levantar-se o tampo, uma mão de parafina flutuava sob a tela metálica. Representava uma mão diferente da mão da médium.

Outros moldes foram obtidos, estando a médium dentro de um saco bem fechado. Com muitas testemunhas. Inclusive perante uma comissão de quase uma dezena de pessoas escolhidas entre os espíritas mais destacados da época.

Disto não fala Denton nos relatórios de suas experiências científicas (?!).
Os controles de pôr o recipiente de parafina dentro de uma caixa de madeira tampada com tela metálica e recoberta com tampo de madeira selado, como também o de meter a médium dentro de um saco bem fechado, foram de fato empregados por bons parapsicólogos nas experiências de ecto-colo-plasmia. E ainda maiores controles… E são louvados também por Werner Keller, mas a favor da ecto-colo-plasmia, não da identificação de “espíritos”!.

Mas esses controles foram introduzidos, aparentemente de modo rigoroso, só nas exibições públicas do casal Hardy. Entra aí não só todo o treino anterior, senão também todas as técnicas de ilusionismo para exibições de palco de uma profissional como era a médium Hardy. São técnicas e aparelhos -tanto a caixa como o saco- freqüentemente usados e típicos dos mágicos.

Com respeito à comissão…: comissionados pelo público, não por alguma Universidade! Espíritas destacados, não cientistas experimentados em parapsicologia!

Destaques – Após Denton com a Sra. Hardy, logo outros pesquisadores e médiuns incluíram nas suas sessões as moldagens e luvas. Entre os pesquisadores pioneiros devem-se citar os professores Zoller e Wagner, os Srs. Reimers e Jenken, os Drs. William Oxley, de Manchester; e Nichols, biógrafo dos médiuns irmãos Davenport; e o conhecido divulgador espírita Epes Sarget. Os médiuns pesquisados por esses pioneiros foram, além da própria Sra. Hardy, a Sra. Fitman, a Srta. Fairlamb, o Dr. (?) Monk e William Eglinton.

Muitos anos depois, nada menos que os Drs. Charles Richet e Gustavo Geley, entre os pesquisadores; Franeck Kluski e mais recentemente Margery (Srta. Crandon), entre os médiuns, destacaram-se nesse tipo de experiências.

Kluski, “o gigante” das moldagens – O médium polonês Franeck Kluski (pseudônimo) foi estudado por um grupo de pesquisadores do maior gabarito científico, honestidade e experiência: Alem do prêmio Nobel Ch. Richet e de G. Geley, devemos destacar a esposa de Geley (ela A. de Grammont) e o conde J. Potocki. Eles sabiam que a ecto-colo-plasmia espontânea existe na realidade. E tanto se falava do médium Kluski que, louvavelmente, foram pesquisar…

*** Richet garante: “Os fatos que alega Aksakof (entre outras moldagens as realizadas pela Sra. Hardy com Denton) de nenhuma maneira me haviam convencido; inclusive as moldagens (…) da cabeça de Eusápia não me pareciam ter valor algum. Eu estava convencido de que não tínhamos ainda nada de bom em matéria de moldagem (no sentido de -na expressão do CLAP- com hora marcada). Mas (…) o médium polonês Kluski tem apresentado fenômenos notáveis de moldagem (…). Certamente, até o presente, nada de tão exato havia sido realizado”.

Era por tanto lógico que Richet, e outros verdadeiros cientistas, decidissem pesquisar as pretensões mirabolantes tão cacarejadas pelos espíritas.

Nenhuma outra pessoa, além de Kluski e os quatro pesquisadores, era admitida na sala de experimentação do Instituto Metapsíquico Internacional (o prestigiadíssimo IMI) de Paris. Portas fechadas com chave. Penumbra, exigida pelo médium, mas por exigência do IMI podiam ver-se as silhuetas dos assistentes. A mão direita de Kluski era segurada por Richet e a esquerda por Potocki. Os movimentos de Kluski em transe eram mínimos.

Não vou me deter na discussão de se Kluski soltava alguns segundos uma das mãos. Nenhum parapsicólogo ou mágico nem os próprios Richet e Geley ignoram que ao longo das sessões e com a atenção desviada habilmente pelo médium para outros fatos, é impossível o controle das suas mãos sem aparelhagem especial.

Kluski realizou em diversas sessões nove luvas de parafina: sete representam mãos reduzidas, uma outra um pé também reduzido, “como de criança”. E, por último, a parte de baixo de um rosto: queixo com os lábios, tamanho normal.

A grande imaginação de Conan Doyle, abandonando as novelas, convertido em grande propagandista do espiritismo, presidente da Sociedade de Espiritismo de Inglaterra, recorreu todos os países de língua inglesa, apresentando as luvas de Kluski como “provas absolutas” da intervenção dos espíritos dos mortos!
Argumentos? :

As linhas palmares e marcas digitais das luvas não correspondiam às mãos de Kluski (nem dos assistentes). O pulso das luvas é mais estreito do que a mão. Há um dedo dobrado sobre a palma. E duas mãos unidas. E um punho fechado… Conam Doyle e os líderes espíritas subsequentes pretendem com estes fatos demonstrar que sem desmaterialização do “perispírito” do morto seria impossível a mão sair da luva.

Ora, antes de mais nada, falta completa de lógica, puro preconceito e fanatismo… Por que teria que ser do “perispírito” do morto e não do ectoplasma do vivo? Mas na realidade as luvas de parafina não foram feitas precisamente com o infantil fraude de Kluski imergir suas próprias mãos na parafina. Senão…

Sem que Kluski soubesse, os pesquisadores do IMI colocaram colosterina junto com a parafina. A colosterina é incolor, pode dissolver-se com a parafina sem modificar a cor desta; mas com a adição de ácido sulfúrico apresenta cor vermelho violeta escura. Ótima prova se as luvas houvessem sido fabricadas durante a sessão. Não foram. Nem Kluski nem os espíritos fizeram nada durante as sessões. As luvas já tinham sido fabricadas antes!!!

Insistem os líderes do espiritismo:
As luvas, apesar de representarem mãos e pés de adultos, estavam reduzidas ao tamanho das mãos ou pés de uma criança.

Fabricadas antes da sessão, as luvas não foram submetidas à mistura de parafina e estearina. A estearina fixa instantaneamente a parafina na forma adquirida na moldagem. Procedimento tão simples impediria as manipulações sobre as luvas com a parafina ainda um tanto quente…, se houvessem sido fabricadas durante a sessão! Mas antes da sessão, o fato da mão ser mais larga que o pulso não oferece dificuldade maior à elasticidade da parafina quando ainda quente. Nessas condições também uma singela manobra externa pode dobrar o dedo…

E as mãos juntas, o punho fechado?
Simplesmente não é verdade com respeito às experiências no prestigiado IMI de Paris. Pertencem à série de 17 luvas e moldes de mãos e pés que posteriormente Kluski fez em Varsóvia! E em Varsóvia, como veremos em seguida, a situação foi muito diferente!

Naquela época, após a desproporcionada solicitação de Denton aos centros de espiritismo de que com a moldagem conseguiriam a “prova irrefutável” de identificação espírita, a moldagem era um desafio aos mais hábeis profissionais.

O prestigioso parapsicólogo Paul Heuzé convidou Kluski a realizar suas moldagens na Sorbonne sob o controle científico do professor Piéron e colaboradores daquela Universidade.

Foi muito suspeito que o “grande médium” e os “espíritos superiores” não aceitassem em hipótese alguma.

Mais suspeito ainda: o grande Franeck Kluski, “magoado por certos artigos maldosos que chegaram a seu conhecimento”, em vez de aceitar as pesquisas científicas da Universidade da Sorbonne para refutar essas “insinuações maldosas”, nem sequer quis continuar as experiências no Instituto Metapsíquico Internacional e voltou para a Polônia.
Kluski em Varsóvia – O Dr. Geley seguiu-o três vezes à Polônia. Assistiu às sessões.

Na Polônia, sem o controle a que queriam submetê-lo os franceses, Kluski realizou suas “melhores” e mais hábeis moldagens. As mãos unidas, o punho fechado… Geley publicou 25 fotografias.

Em prol da realidade ectoplasmática (não espírita!!) das luvas de parafina por Kluski em Varsóvia, o prestigioso Geley argumentava -e o grande parapsicólogo atual Robert Tocquet insistia recentemente- com o ditame dos modeladores artísticos profissionais, Srs. Gabrieli, pai, e filhos Barettini e Guido Marchelli. Afirmavam que os moldes são de primeira operação sobre órgãos vivos. Não sobre moldagens, aplicando parafina sobre outros moldes inertes previamente preparados. Uma sobremoldagem não poderia oferecer a mesma delicadeza de espessura -menos de 1mm- e os detalhes: pêlos, rugas e linhas da pele… Mãos de cadáveres também não poderiam oferecer os detalhes de contração muscular. Assim estes profissionais repetiam os argumentos (?) usados quarenta e seis anos antes pelo escritor John O’Brien -e o espírita Epes Sargent- em favor dos moldes obtidos pelo Prof. Denton com a médium Hardy.

Essa argumentação não é lícita. Os profissionais da arte de moldagem (e da medicina etc.) conhecem muito bem as melhores técnicas. Os parapsicólogos por sua parte, e o próprio Tocquet, advogam pela necessidade de se conhecer os truques, as técnicas de enganar, conscientes ou inconscientes, às vezes muito complicadas, próprias dos profissionais da mediunidade, do curandeirismo… e dos mágicos.

E, de fato, em meio às grandes discussões imediatamente após a publicação dos êxitos de Kluski, o Dr. Morhardt mostrou experimentalmente que “é relativamente fácil obter um esvaziado de parafina em tudo semelhante aos do Instituto Metapsíquico, com matrizes fabricadas com certas substâncias. Entre as substâncias que poderiam ser utilizadas cito a resina que é solúvel no álcool; gelatina, solúvel na água; guta-percha, no clorofórmio; látex, na benzina; algodão-pólvora, no éter etc. É certo que com uma mistura tão comum como a solução encontrada no comércio para reparar as chaminés obtêm-se todos os resultados que se quiser neste tema, de uma maneira bem simples. Basta tentar”.

É claro que a longa pesquisa dos artistas modeladores não procurou estes métodos de charlatões, sem interesse prático para sua profissão. São de grande interesse para os iniciados no “ocultismo”, como Kluski. Com estes métodos Klusski pôde fazer suas luvas. A “mão viva” é substituída por uma destas matrizes solúveis. Uma matriz ou luva de “cautchu do comércio” é imerso no recipiente com os correspondentes líquidos quentes com a parafina. Até em vez de “luva de cautchu do comércio”, se poderia imergir na parafina uma matriz sólida, por exemplo, de liga de dentista ou de gesso…

É verdade que o Dr. Geley perguntou se as luvas de Kluski poderiam ser obtidas com pré-moldados solúveis, concretamente de açúcar; e os mestres de moldagem foram categóricos na negativa.

Detalhes anatômicos no molde de gesso.
Será? Total desconhecimento de mágicas nesses mestres de moldagem. Tal erro aniquila sua autoridade nesta pesquisa. O truque é conhecido por muitas observações. Por exemplo:

S. G. Stanislawa, compatriota e contemporânea de Kluski, confessou que moldes em parafina como se fossem de pequenos “peixes vivos, trazidos de longínquas terras por ministérios dos espíritos”, os fazia com peixes pré-moldados, de açúcar. Depois os pré-moldados eram docemente engolidos.

Inútil a precaução que alguns tomaram de aplicar vomitórios aos médiuns suspeitos, em procura das substâncias com que algum tempo antes teriam feito os pré-moldados… O açúcar passa rapidamente ao sangue.

Mas também à Polônia chegaram, ou lá surgiram, críticas. Por que não faziam moldagens, se não de meio corpo ou da cabeça inteira, ao menos de um rosto inteiro?
Kluski só apresentou uma vez molde do queixo…

Algum tempo depois haveria de comprovar-se que os moldes do rosto com Eusápia Palladino, eram do próprio rosto de Eusápia. (Não teria acontecido o mesmo com Kluski, se tivesse sido realizado durante a sessão e não preparado com anterioridade?).

Apesar da insistência na propaganda, na realidade muitos moldes eram decepcionantes: às vezes incriminatoriamente faltava o pulso ou estava rasgado, dedos dobrados mas também mais ou menos aplastados ou trincados na dobra, dedos colados uns aos outros etc.

Nada disto tem sentido. Se o que Kluski pretendia demonstrar era que os espíritos materializados dos mortos faziam essas moldagens, antes de discutir se era o perispírito dos mortos ou o ectoplasma do próprio Kluski, seria necessário provar que houve mesmo moldagem não-trucada…

Durante os preparativos de uma destas sessões em Varsóvia, um dos assistentes poloneses, de mais senso crítico, dado que os moldes de mãos eram suspeitos…, pediu que a moldagem fosse de um rosto completo, e que não fosse o do próprio Kluski, pois ele ficava muito perto da parafina… Os outros assistentes não podiam aproximar-se suficientemente sem serem vistos…

Kluski resistiu.
Por quê? Kluski, evidentemente não vinha preparado para o truque de moldar um rosto. Ora, o perispírito dos mortos tem mais facilidade para as mãos do que para o rosto? Por quê?

As evasivas de Kluski evidentemente não convenciam. O assistente crítico logo foi apoiado por outros assistentes (compreende-se o embaraço da situação para qualquer um, inclusive para o veterano Kluski). E começou a sessão. Os assistentes críticos, no meio da escuridão quase completa da sessão, concentraram toda sua atenção no rosto de Kluski. Passa o tempo… Por fim acendem-se as luzes: apareceu o molde!!!

Mas aquilo não parecia um rosto humano… Duas partes, aquelas marcas da pele, outros detalhes… Os assistentes críticos forçaram Kluski e comprovaram: forma, dimensão, “com todos os detalhes” o bumbum do próprio Kluski!

Lá estava Geley, que não quis publicar o caso! Aceitemos que até para o prestigioso e sincero parapsicólogo Dr. Gustavo Geley era duro engolir essa cena ridícula a que foi submetido…

Desmorona o castelo – “As sessões organizadas pela Sociedade de Estudos Psíquicos (SPR) de Polônia (…) sugerem tão fortemente a idéia da fraude que se ousaria dizer que a impõem”, conclui o excelente parapsicólogo Robert Amadou.

Pouco depois das experiências de Varsóvia, o parapsicólogo e mágico Nordmann apresentava uma forte crítica de todo o conjunto dos fenômenos de Kluski: fantasmas, telecinesias etc., não só das moldagens.

O mágico Rinn, com Houdini e como Houdini, havia dedicado grande parte de sua vida a estudar os fenômenos da chamada mediunidade espírita. Desafiou Kluski a realizar suas moldagens perante um grupo seleto de mágicos. Kluski rejeitou, rejeitou, rejeitou… e teve que terminar por confessar que tudo fora truque.

Só pela beleza – A médium D’Esperance e o suposto espírito chamado Néphentès chegaram também a ser muito famosos. O espírita Ernesto Bozzano dá especial importância ao caso das luvas que haveriam sido realizadas por Néphentès, freqüentemente “materializado”.

Sob a direção do Dr. Von Berger, em Christiana (Noruega), cerca de trinta experimentadores (entre eles, professores universitários, médicos, magistrados e pastores luteranos), uma vez obtiveram uma luva de parafina, até o punho, da mão pequena da belíssima jovem Néphentès “materializada”.

Exteriormente a luva parecia informe, grumosa, composta de muitas camadas de parafina superpostas. Mas pela pequena abertura do punho percebiam-se os lugares correspondentes aos dedos de uma mão extremamente pequena. No dia seguinte um modelador, Sr. Almiri, tirou do molde um modelo em gesso. No gesso percebiam-se perfeitamente as unhas e inclusive as linhas das juntas dos dedos e da palma da mão.

É necessário frisar que quando fazia a luva, não se veia nada da “materialização” (??!!) de Néphentés, só se via a silhueta da médium através da cortina… E que a grosseria forma exterior da luva praticamente estaria mostrando aos experimentadores -se tivessem um mínimo de experiência e conhecimento de parapsicologia- que facilimamente o conjunto foi pressionado por fora para reduzir o tamanho e dobrar os dedos da luva interna, acrescentando-se depois mais grumos de parafina por fora para torpemente disfarçar as manobras…

A não ser pela beleza muito ponderada de Néphentès, a luva como tal não tem nada de especial em comparação com as obtidas por Denton e outros muitos. É inclusive pior. Certamente muito pior que as luvas de Kluski.

Parapsicologia vs espiritismo – Ciência plenamente contra superstição e fanatismo.
Após o total descrédito da Sra. Hardy, Kluski, D´Esperance…, todos os demais casos que o fanatismo dos espíritas fora apresentando ao longo dos anos já choviam sobre molhado no terreno evidente da charlatanice.

Os parapsicólogos só acumulavam mais e mais confirmações de fraudes. Adolescentes problemáticas nas casas “mal assombradas” e médiuns espíritas nas suas sessões facilmente iam enganando.

O truque é fácil. Não com um molde qualquer de borracha mole: flutua e se deforma na parafina. Mas sim, se estiver cheio de água… Melhor fazer moldes com borracha ou outras matérias um tanto duras, mas que, com algum esforço, possam ser infláveis. Moldes muito bem detalhados por fora. Alguns pequenos movimentos do ar dentro do molde ao submergir-se na parafina darão à luva resultante a perfeita impressão de ter sido feita com uma mão viva. Inclusive assim o havia demonstrado o mágico Alber, contra Kluski, após observar o “modus operandi” do médium.

O parapsicólogo Robert Tocquet comprovou com médiuns e mostrou que o método mais simples, e por isso um dos mais eficientes e mais usados, é que o médium -ou a mocinha nas “assombrações”- aperte com um torniquete seu próprio braço, e deixe a mão pendendo submergida na glicerina ou parafina. Pela redução na circulação do sangue a mão vai inchando… Dez minutos depois -sem problema para a mocinha problemática, e tempo no qual o médium fica protegido na cabina mediúnica, refugiando-se nas dificuldades de evocação dos espíritos dos mortos…-, obterá a luva. Quando seca a parafina, é só desatar o braço… e a mão voltará ao tamanho normal. Quando um pouco endurecida a parafina, sacudindo o braço, o molde sairá sem ajuda. Qualquer aumento de tamanho da luva na parte do punho pela saída da palma da mão, corrige-se facilmente apertando por fora antes que a parafina endureça totalmente.

Estes métodos dão perfeitamente a ilusão de uma primeira moldagem. Apresentam todos os detalhes da mão viva.

É possível com boa técnica dar a todos esses tipos de moldagem a forma reduzida ou ampliada. Mãos com todas as características de adulto, e com dimensão de criança ou de “Big Dick”.

Novamente atenção – Não se trata de negar a possibilidade, o fato, de alguém, alguma vez, espontaneamente realizar uma ecto-colo-plasmia e subseqüente moldagem. O que negamos é que a ecto-colo-plasmia e moldagem sejam prova nem mínima a favor da identificação de um espirito de morto.

Quem seria o diretor?- Quando autêntica a moldagem…
O próprio Bozzano, considerado pelos espíritas como o mais profundo dos seus pensadores, reconhece que o “perispírito” dos mortos não intervém nos fenômenos parapsicológicos de efeitos físicos.

Acha, porém, que os espíritos dos mortos dirigiriam telepaticamente a mente do médium para que realizasse os fenômenos parafísicos. A ideoplasmia do médium com seu ectoplasma realizaria a moldagem, quando autêntica.

Expressamente, portanto, todo o fenômeno da ecto-colo-plasmia e moldagem, como todo fenômeno parafísico, se origina no próprio médium, na mocinha que “assombra” a casa, no supersticiosamente chamado endemoninhado, etc. etc. Indiscutivelmente em todos os fenômenos parafísicos, a matéria-prima é o ectoplasma (ou telergia quando invisível) dos vivos.

E a direção? Mesmo os Drs. Richet e Geley, que inicialmente defenderam convictamente as moldagens de Kluski, expressamente descartavam como plenamente supérflua uma prévia telepatia dos espíritos. À intervenção espírita opunham a explicação parapsicológica. Total. Donde tiraram os espíritas esse subterfúgio, da telepatia entre os médiuns e os espíritos? Completamente supérfluo, para não dizer imbecil…

Psicobulia do médium – Insiste o prestigioso parapsicólogo W. J. Crawford (contra o truque, não a favor do espiritismo!): Quando as mãos ou pés ectoplasmáticos fazem as moldagens, ao mesmo tempo estão sendo vistos imóveis ou estão atados os verdadeiros pés e mãos da médium. Tratar-se-ia de mãos ou pés ectoplasmáticos idênticos aos do médium, com características inconfundivelmente iguais às das mãos ou pés do médium.
“Quando autênticos”, esses fatos só provam que o médium quer, deseja, torce por realizar um fenômeno. É ele que deseja realizá-lo. E o inconsciente parapsicológico o realiza com a ideoplasmia de seus próprios pés ou mãos.

Nas experiências realizadas pelo Sr. Reimers, com luz suficiente, a médium era encerrada num saco hermeticamente fechado, impossível de se abrir sem que a manobra se delatasse. Não obstante, as luvas de parafina que realizou, em diversas oportunidades, tinham as marcas das veias e algumas outras linhas e sulcos da mão “grande e vulgar” da médium, “uma mulher mui corpulenta” e idosa. Mas essas mesmas luvas tinham “o contorno completo da mão de uma mulher moça”, Bertie, o “espírito guia”. As luvas apresentavam “por seu aspecto na fase dorsal as rugas distintivas da idade”.

Exatamente o mesmo fenômeno de mãos com traços simultaneamente da juventude e da velhice, de pessoa pequena e de pessoa corpulenta, delicadeza tratada e rudeza endurecida pelo trabalho aparece nas experiências realizadas por Oxley, na obtenção das mãos do “espírito guia” Lili.

Quando tais fatos são autênticos, não trucados, só provam que a ideoplasmia do médium, por um lado realiza o desejo de moldar a mão do personagem com que o inconsciente se disfarça; por outro lado a própria ideoplasmia se desmascara e mostra que é o médium mesmo quem deseja, dirige e realiza as moldagens.

Documento falso – A pretendida identificação dos espíritos pela moldagem é essencialmente documento falso.

Se fossem autênticas, não fraudulentas, por exemplo as moldagens obtidas pela médium Hollis com o Dr. Wolfe…

O próprio fato de serem mãos diferentes entre si e diferentes das atribuídas aos espíritos guias enquadra-se na ideoplasmia da médium, na sua imaginação, na suas adivinhações (sobre os vivos!) e/ou nos seus erros. Não tem sentido falar de telepatia ou revelação do espírito do morto para se identificar… em falso!

Habitualmente plasmavam-se mãos maiores ou menores, diferentes das que corresponderiam em vida à pessoa cujo espírito se pretenderia identificar.

E se a luva corresponde exatamente às características…,
Continua sendo documento falso! Não é identificação do espírito do morto, mas de quando estava vivo. Conhecimento de vivo sobre vivo. O médium adivinha e se identifica com o adivinhado. Não se trata, nunca, de identificação do espírito do morto.

Os “mestres” espíritas, no seu absurdo fanatismo, insistem:

“Resultado de uma lei natural que poderia ser formulada assim: toda individualidade transcendente que se manifesta de novo na esfera da existência terrestre fica submetida, enquanto dura esta manifestação, às mesmas condições nas quais se achava no fim de sua existência fenomenal. Isso implicaria, por assim dizer, um esquecimento temporário das condições de sua existência transcendente e uma volta à existência fenomenal, tal qual era no momento de sua extinção”. Palavras de Aksakof.

É típico da mentalidade supersticiosa inventar escapatórias. Para defender a intervenção dos espíritos dos mortos, não percebem que com isso tornam completamente supérflua tal intervenção. Pois se ao entrarem na atmosfera dos vivos nada saberiam da sua existência transcendente, nada poderiam fazer de diferente dos vivos. E, além do mais, com esse absurdo subterfúgio estão arrasando com toda a pretendida revelação da doutrina espirita…

Quando vivo! – Nenhuma moldagem serve como documento de identificação espírita.
Suponhamos que numa sessão de espiritismo uma mão de parafina apresentasse nos mínimos detalhes determinadas características e impressões digitais. Tudo o mais exato e perfeito, o máximo que se pudesse esperar da reprodução de uma mão real. Suponhamos que a moldagem tivesse surgido na mais completa garantia de autenticidade, total impossibilidade de fraude. É apresentada como prova de identificação de algum espírito de morto. Assim o teriam entendido o médium, os assistentes, os experimentadores.

Essa moldagem, no melhor dos casos, teria algum valor para a interpretação espírita?
Nenhum. Absolutamente nenhum. Se o suposto espírito do morto, quando vivo, não deixou registro de suas impressões digitais e demais sinais em algum departamento de identificação, evidentemente de nada valem as marcas da luva de parafina. Não se teria com que confrontá-la. E se deixou, basta então o registro para que tudo fique entre vivos: adivinhação dessas marcas.

Mais ainda, nem sequer precisam estar registradas na Secretaria de Segurança: se de fato são sinais reais do defunto quando ainda vivo, basta a clarividência por retrocognição para explicar a identidade das marcas. Mesmo que quando ocorresse a moldagem ninguém conhecesse tais marcas.

Podem-se aduzir casos, entre os um tanto menos suspeitos, que, se autênticos, confirmam esse dilema sem saída para a interpretação espírita:

Molde da impressão deixado na parafina. É lógico que o medium precisou fechar os olhos para o contato com a parafina quente.

O “espírito” por que?
Um exemplo famoso – Nada menos que com a insuperável Eusápia Palladino, antes da sua volta ao catolicismo completamente convencida do erro do espiritismo.

Estando Eusapia em profundo transe, manifestava-se repetidas vezes um “‘espírito” completamente avesso a deixar-se fotografar, a moldar a sua mão, ou a deixar qualquer outra prova material de identificação. Nada, ninguém, nem os assistentes, nem sequer John, o “espírito guia” de Eusápia (seu inconsciente, seu “outro eu”), conseguia convencê-lo.

Mas tanto insistiram, que por fim o “espírito” consentiu em fazer uma luva de parafina. Ouviu-se o barulho da mão no líquido, e logo depois o Sr. R. recebeu nas suas uma mão de parafina… O “espírito”, porém, arrependeu-se imediatamente de sua condescendência, e quebrou o molde em muitos pedaços. Dias antes, por duas vezes, também o mesmo “voltar atrás”: quebra telecineticamente as chapas de duas fotografias que consentira tirassem dele…

“Tratava-se, soubemos depois, de uma mulher viva, porém adormecida, outrora amante de R., residindo na mesma cidade, e que tinha grande interesse em não deixar prova de sua identidade”.

Não é a amante desprezada que primeiro se manifesta e depois se esconde na sessão de Eusápia. A ex-amante não influi de modo algum. Nem é o Sr. R. É o inconsciente de Eusápia que capta e ideoplasmaticamente manifesta os antigos problemas do Sr. R. e seu atual e lógico receio de que suas antigas aventuras, quase reveladas aos outros participantes, deixem dados comprovantes.

O importante, porém, é a comprovação de que numa sessão de espiritismo a identificação, mesmo aparentemente perfeita de um “espírito” de um morto, é na realidade de um vivo e ainda por cima ausente à sessão. E que nada sabia do que estava acontecendo.

Para todos os casos. É sabido (e dedico um livro amplo a tratar do assunto: “A Facer Oculta da Mente”) que a faculdade humana de adivinhação (PG, Psi-Gamma = psico-gnose = conhecimento espiritual; ou ESP = Percepção extra-sensorial) não só conhece à distância, mas também no passado (RC = Retrocognição) e no futuro (Pcg = Precognição). Assim a médium, a mocinha na casa mal assombrada, o “endemoninhado” etc. pode adivinhar como eram, quando vivo, as marcas de determinado morto, reproduzi-las por ideoplasmia com perfeita identificação, o que, na realidade, não é identificação do espírito do morto, mas identificação de quando estava vivo.

E o que também afirmamos uma vez mais é que todos os fenômenos parapsicológicos são espontâneos. Ninguém os domina e os realiza com hora marcada, como pretendem os médiuns. Nem o mais freqüente dos fenômenos parapsicológicos, a telepatia. Há muitos anos que venho apostando 10.000 dólares (não os tenho, mas sei o que aposto) contra cem com os adivinhos, médiuns… profissionais, a que adivinhem onde está o cadáver de Ulises Guimarães. Por que não adivinham onde estão os seqüestradores de Carlinhos? Adivinhem onde se esconde Osama Bin Laden, e ganhariam 80 milhões de dólares…, em vez de cobrar 50 reais aos ingênuos que os consultam.

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