O INCONSCIENTE, A MELHOR ESCOLA DE LÍNGUAS

Falar línguas estrangeiras sem tê-las aprendido… O fenômeno foi chamado por Charles Richet xenoglossia (do grego xenos = estrangeiro, e gloto = falar). Em Teologia o fenômeno é mais comumente chamado “glossolalia” (falar línguas). Lamentavelmente, porque glossolalia em Psiquiatria significa o tagarelar histérico, sem sentido, igual que o também erradamente chamado “Dom das línguas” entre as seitas pentecostais, etc.

A FRAUDE É A PRIMEIRA EXPLICAÇÃO – Houve um caso que se tornou famoso por ter sido observado por Richet (premio Nobel em Fisiologia e destacado pioneiro da Parapsiocologia):

“Uma senhora, de uns trinta anos de idade, desconhecia absolutamente o grego. Apesar disso escreveu na minha presença compridas frases em grego (…) Encontrei depois de algumas investigações (…) os livros dos quais a mesma senhora extraíra as frases(…): o dicionário grego-francês e francês-grego de Byzantius e Coromelas (…), a Apologia de Sócrates, o Fédon de Platão e o Evangelho de São João”.

O interessante é que algumas frases se aplicavam muito bem às circunstâncias. Uma tarde, por exemplo, ao cair do sol, a senhora escreveu em grego uma frase que se encontra no dicionário citado: “Quando está no seu nascimento ou no seu acaso, a sombra projeta-se longe”. A frase é transcrita sem acentos e com um pequeno erro: um alfa por um ípsilon.

Ela escrevera em grego um total de vinte linhas, 622 letras, com somente 6% de erros, além da ausência de acentos.
Richet considerou importante o caso desta senhora. A hipótese de fraude não foi excluída, no caso, admitindo-se que poderia se tratar de uma dessas fraudes inconscientes ou ao menos irresponsáveis, muito freqüentes. Richet afirmara “que se trata claramente de visão mental de vários fragmentos de livros”; reconhece, porém, que não se pode rejeitar a hipótese da fraude. Justas críticas fez o Dr. Dessoir, defendendo a explicação por fraude.
Supondo que a senhora conhecesse o abecedário grego, o esforço da memória não seria grande, dado que as frases foram escritas em pequenas “doses”, em diversas ocasiões. Era fácil que as fosse aprendendo. E, se a senhora não conhecia as letras gregas, para aprende-las necessitaria no máximo de uma hora. Da acentuação grega, mais difícil de lembrar, ela esquivou-se. Quanto ao significado das frases, no dicionário de Byzantius e Coromelas constava certamente o significado, depois das frases gregas. Na França, não são freqüentes as edições apenas em grego da Apologia, do Fédon e dos Evangelhos: costuma-se fazer edições bilíngües. Nestas condições é facílimo estudar, para cada sessão, algumas frases curtas e inclusive aplicá-las às circunstâncias, principalmente se escreve espontaneamente e não em resposta a perguntas.

A “Society for Psychical Research” discutiu o assunto, concluindo que, provavelmente, tratava-se mesmo de fraude. Só em última hipótese é que para este caso de xenoglossia se poderia falar numa representação visual memorizada por pantomnésia inconsciente.
Fez-se também famosíssima Helena Smith, por varios casos:

Afirmou durante um transe que numa reencarnação anterior (?!) fora a rainha Antonieta e antes ainda Simandini, filha de um cheque árabe e esposa do príncipe hindu Nayaka, senhor de Kamara. Moravam na fortaleza de Tschandraguiri, construída por seu esposos em 1401…
Todo o esplendor e luxo do mundo oriental era descrito por Helena de modo meio fantasmagórico. Descreveu também fatos históricos da época.
E o surpreendente ou, ao menos, o que mais nos interessa agora:

Numa ocasião, em transe, escreveu uma linha em árabe e empregou palavras em sânscrito. Foi só após muito trabalho que professores da Universidade conseguiram verificar que a linha em árabe e as palavras em sânscrito eram reais, como também os fatos históricos a que ela aludiu
O Dr. Flournoy fingiu-se espírita para poder investigar com plena liberdade o assunto H. Smith. Após vários anos de observação da médium e pacientíssimos estudos, chegou à conclusão clara e indiscutível, de que tudo era fraude. Inconsciente, mas fraude.

Todos os dados, personagens, acontecimentos históricos a que Helena aludia, provinham de um livro francês (única língua que ela conhecia), muito raro em Genebra, publicado em 1828. A frase árabe tinha sido incluída por um médico na dedicatória com que oferecia a um amigo o livro escrito por ele em Genebra mesmo. O médico Dr. Rapin, freqüentara a casa de H. Smith. Quanto às palavras em sânscrito, comprovou-se que Helena Smith folheara uma gramática e um dicionário sânscritos.

Não se tratava de ler e falar “o sânscrito”, como com exagero pouco sincero tem-se afirmado.
Flournoy diz que eram unicamente palavras em sânscrito, escritas ou pronunciadas. Flournoy sugere a explicação: “Um dos membros da Sociedade de Investigações Psíquicos de Genebra, o Sr. J., tinha estudado alguma coisa deste idioma, raro na Suíça, e possuía uma gramática do mesmo (…) no próprio aposento em que se faziam as sessões; nessa casa, H. Smith esteve fazendo sessões durante um ano inteiro, precisamente o ano que procedeu à erupção da fantasia hindu”.

Em matéria de xenoglossia a fraude mais singela pode ser de um efeito altamente surpreendente como mostra o caso seguinte, entre outros muitíssimos que se poderiam citar.

Numa sessão de psicografia, um médium escreveu as palavras: “Hemek Habaccha” e assinou “B. Cardosio” (sic). Perguntado, o ignorante médium explicou aos sábios que as palavras significavam “Vale de lágrimas”, acrescentando que se encontravam uma única vez no Antigo Testamento. (Salmo 83, 7. Mas a moderna exegese científica põe “Vale árido” e não “Vale de lágrimas”). Após várias investigações descobriu-se que existira um médico português, chamado Fernando Cardoso, que tinha abraçado a religião judaica.

O ignorante médium não podia saber palavras hebraicas nem seu significado. O caso foi tido pelos espíritas como manifesta intervenção do “espírito” (ponho sempre “espírito” entre aspas porque não há espírito humano sem corpo, mortal ou ressuscitado) do médico que ninguém conhecia e menos ainda no seu judaísmo.

Descobriram-se mais tarde as obras de Cardoso no “Britis Museum”, cheias de citações hebraicas: novo “argumento” em prol da intervenção do “espírito”.
O argumento parecia insofismável, e não obstante era um simples truque como se desvendou depois:
Encontrou-se num pequeno livro alemão de provérbios e sentenças as palavras: “Hemek habaccha = Vale de lágrimas”, com a indicação de serem o mote do médico…, sem suspeitar que no livrinho encontravam-se dois erros: o nome do médico não era “B”. e sim Fernando, e o sobrenome não era “Cardosio” e sim Cardoso. Comprovou-se também que outras frases xenoglóssicas, empregadas pelo mesmo médium noutras ocasiões, foram tiradas do mesmo livro. O médium foi desmascarado.

Os médiuns espíritas que se fizeram mais famosos em xenoglossia, foram Eglinton e Valiantini (sem contar H. Smith na xenoglossia imprópria de inventar línguas perfeitas). Eglinton e Valiantini em repetidas sessões falaram várias línguas. Valiantini, porém, é mais do que suspeito por ter sido apanhado em fraude com demasiada freqüência. A respeito de Eglinton, escreve o próprio Richet: “A sinceridade de Eglinton é bem problemática”.
A fraude, portanto, talvez inconsciente ou ao menos irresponsável, explica muitos casos de xenoglossia…

XENOGLOSSIA IMPROPRIAMENTE DITA
– Um outro tipo de pseudoxenoglossia, é inventar línguas novas, mesmo perfeitas. O caso mais destacado foi com a famosa médium espírita Helena Smith, do qual falaremos no próximo artigo. Inventar línguas como o fez Helena Smith, prova o talento do inconsciente, mas não é xenoglossia propriamente dita.

Também não é xenoglossia entender línguas, embora geralmente os autores incluam no conceito de xenoglossia o fenômeno de entender línguas desconhecidas pelo consciente.

Eis um caso bastante antigo, do século XVII, mas bem comprovado e que se tornou clássico.
A Sra. Rainfaing ficou viúva. Um “médico-bruxo”, chamado Poirot, pediu-a em casamento. Não foi ouvido. Deu-lhe então estranhos “filtros” para conquistar-lhe o amor. Inútil. Dirigiu então toda a “bruxaria” no sentido da vingança, abalando a saúde da Sra. Rainfaing. Depois sucederam coisas tão estranhas a esta senhora, que a julgaram possessa do demônio. Os médicos declaram nada entender do seu estado e a recomendaram aos exorcismos da Igreja.

Por ordem do Sr. de Porcelets, bispo de Toul, foram nomeados exorcistas o Pe. Viardin, doutor em Teologia e Conselheiro de Estado do Duque de Lorena, e mais outro jesuíta e um capuchinho. No decorrer desses exorcismos, intervieram também muitos religiosos e padres de Nancy, inclusive de Triboli, o sufragâneo de Estrasburgo, o embaixador do Rei da França e o bispo de Verdun. Foram também enviados dois doutores da Sorbonne.
A Sra. Rainfaing foi exorcizada várias vezes em hebraico, só com o movimento dos lábios, sem pronunciar-se uma palavra. E a suposta possessa entendeu perfeitamente a fórmula do exorcismo. O Dr. Garnir, doutor da Sorbonne, deu-lhe várias ordens e perguntas em língua hebraica. Ela respondeu que só falaria em francês, acrescentando: “Não é bastante que eu lhe mostre entender o que diz?”

O mesmo Dr. Garnier, falando-lhe em grego, errou distraidamente na declinação de uma palavra. A “possessa” lhe disse:
– Você errou.
– Mostra-me em que -exigiu ainda em grego o doutor.
– Contente-se -respondeu a Sra. Rainfaing- com que denuncie seu erro. Não falarei dele.
Em grego, pediu o doutor que ela se calasse. Em vão:
– Ordena-me que me cale, mas eu não me calarei.

E assim outras frases semelhantes foram feitas pelos exorcistas, seguidas de respostas correspondentes pela Sra. Rainfaing…
Não é estranho que, com os escassos conhecimentos da época e ambiente de bruxaria, o caso fosse tido como indubitável possessão demoníaca. Mas disso não havia nada.

Interessa-nos, e foi no que insistiram os exorcistas, o fato de que entendera a língua. Nem sequer é peciso recorrer à percepção paranormal, extra-sensorial, do pensamento de seus interlocutores.

Basta, posto que estavam presentes, HIP. Jjá sabemos que, mesmo ignorando completamente as línguas estrangeiras com que se dirigiam a ela, a Sra. Rainfaing por HIP podia captar o sentido das perguntas e ordens.

Pouco importaria, agora, saber se a Sra. Rainfaing entendeu diretamente a frase estrangeira que ouviu, ou se somente captou as idéias do doutor, sem entender diretamente as frases estrangeiras. Afirmamos que bastaria a percepção da idéia, por HIP consciente ou inconsciente. A importância dos sinais fonéticos provavelmente deve, no caso, reduzir-se, porque a língua empregada era desconhecida para a sensitiva. Mas há outros muitos sinais comuns a toda a espécie humana, como já indicamos no artigo sobre HIP.
Por HIP podia a Sra. Rainfaing captar os pensamentos dos interlocutores. Podia, portanto, responder em francês, sua própria língua, de acordo com o que diziam a ela em hebraico, grego ou latim.

A mesma coisa se diga do erro que denunciou: por HIP captou a reação do Dr. Garnier que percebeu (talvez só inconscientemente) que errara.
É curioso que um ocultista como Elíphas Leví, dê lições de senso comum àqueles “homens tão sérios”, que atribuíam o fenômeno ao demônio. Assim se expressa o famoso ocultista: “Admiro-me de que homens tão sérios não tivessem notado a dificuldade que teve o pretenso demônio em lhes responder numa língua estranha à da doente. Se o interlocutor fosse o demônio, não somente teria entendido o grego (latim e hebraico), mas teria falado em grego (latim e hebraico). Uma coisa não custaria mais do que a outra a um espírito tão sábio como maligno”.
Casos semelhantes são relativamente freqüentes.

XENOGLOSSIA PROPRIAMENTE DITA – Falando com propriedade, xenoglossia é empregar línguas desconhecidas pelo consciente.
Usamos o termo empregar para incluir a xenoglossia falada, escrita, pelos movimentos da mesa, ou qualquer outro sistema de expressão.

A xenoglossia escrita, etc., não se diferencia da xenoglossia falada. A única diferença é meramente extrínseca. Mais ainda: a escrita automática etc., facilita a manifestação da xenoglossia, ficando tudo no âmbito do inconsciente. As idéias inconscientes expressam-se inconscientemente por meio de movimentos reflexos automáticos, da mão que segura o lápis (ou pêndulo, copo, mesa, etc.) O fenômeno em si é simples. O “mistério” da psicografia e fenômenos afins provem de outros fenômenos que explicam donde vêm as idéias, estilo, etc. manifestados. Estes fenômenos de conhecimento são os que iremos explicando nestas duas séries sobre “A PRODIGIOSA SABEDORIA DO INCONSCIENTE”.

XENOGLOSSIA TRAUMÁTICA – Escreve o grande parapsicólogo Pe. Carlos Maria Herédia, S.J.:
“Uma menina de dez anos sofrera fratura de crânio por causa de uma queda. Veio ter conosco uma mulher, muito aflita, temendo que a filhinha estivesse possessa do demônio (?) pois falava chinês (…) Fomos ver a menina. Efetivamente, por momentos punha-se a falar numa língua desconhecida para nós.

– Como souberam vocês que é chinês o que ela fala? -perguntamos.
– Padre, é porque um chinês que nos lava a roupa a ouviu falar e disse que é chinês.
– Pois chamem o chinês.
Após algum tempo, chegaram dois chineses em vez de um.
– Vocês ouviram esta menina falar? -perguntei-lhes. Um dos chineses fez um sinal afirmativo (…)
– Pergunte em chinês quais as flores da Califórnia (lá aconteceu o fato), de que ela mais gosta.
Um dos chineses fez a pergunta, e a menina desatou a falar com extraordinário desembaraço. A princípio os chineses começaram a sorrir, mas depois ficaram muito sérios.
– Que foi que ela disse? -perguntei. Um dos chineses respondeu:
– Duas toalhas de mesa, três fronhas, seis pares de meias, três lenços… E calou-se.
– Não disse mais nada? -insisti. Um dos chineses não quis responder, mas o outro, vendo que eu tirara a carteira para recompensá-los se me dissessem tudo, acrescentou:
– Disse outras coisas muito feias que não me atrevo a repetir!”

O Pe. Herédia não teve dificuldades para achar a explicação do prodígio. A pobre menina tinha ouvido dos chineses a lista de peças a lavar…, e além disso outras palavras que não designavam roupa nem flores da Califórnia propriamente ditas… O inconsciente arquivou tudo o que ouviu. E o estado alterado de consciência provocado pela lesão craniana fez com que tudo aflorasse à superfície. Conscientemente, a menina não seria capaz de repetir uma só palavra em chinês.

Às vezes é muito difícil encontrar a origem pantomnésica de xenoglossia, como mostra o seguinte caso de xenoglossia também traumática.
Uma velha, num acesso de broncopneumonia, começou de repente a exprimir-se num idioma desconhecido por todos os presentes. Depois se comprovou que era o industani. A velha desconhecia absolutamente aquela língua.

Foram necessárias longas e laboriosas investigações para comprovar, depois de muito tempo, que até a idade de quatro anos, aquela senhora vivera na Índia. Desde aquela data haviam passado 60 anos.

Casos semelhantes são relativamente freqüentes, especialmente em países de imigração:
Só uns dias após a minha chegada a São Paulo já me apresentaram três “endemoninhados” (?!), que falavam nas suas crises línguas que não conheciam conscientemente. Quando, após breve tratamento, consegui reequilibrar um pouco o sistema nervoso destes pacientes, o “demônio” (?!) foi embora… (claro, depois precisei dois meses para curar as causas que levaram a àquelas crises de divisão da personalidade).

XENOGLOSSIA EXPERIMENTAL – A pantomnésia tem sido comprovada como a explicação mais freqüente da xenoglossia. Este fato de observação facilitou a experimentação do fenômeno.

Não é muito raro que no sonambulismo hipnótico surjam espetaculares xenoglossias, mais ou menos provocadas pelo hipnólogo. A inconsciência da hipnose é bastante parecida com outros estados alterados de consciência, nos quais o fenômeno surge espontaneamente: febre, transe, narcótico, traumatismo psicofísico…

Uma moça, quase analfabeta, posta artificialmente em estado de sonambulismo hipnótico recitou um longo trecho oratório em latim, língua da qual ela não sabia sequer uma palavra. Comprovou-se, seguindo as orientações dadas pela mesma hipnotizada, que anos atrás um tio da jovem recitara um dia aquele mesmo trecho perto do quarto de dormir da moça, que então se achava doente.

Uma mulher em estado de sonambulismo hipnótico recitou, sem hesitar, longos capítulos da Bíblia hebraica, apesar de acordada não conhecer uma única palavra dessa língua. Descobriu-se que ela simplesmente repetia o que ouvira de um rabino que tinha o hábito de ler a Bíblia em voz alta e do qual afora empregada quando moça.

Durante o estado hipnótico o inconsciente apresentou com toda exatidão e vivacidade tudo quanto ouvira uma só vez anos atrás sem nada entender e, possivelmente, ouvido por sensações hiperestésicas.

UM CASO QUE FOI MUITO DISCUTIDO
… por puro desconhecimento:
Um jovem professor, incialmente por curiosidade e com grande surpresa, depois já por necessidade mórbida, dedicou-se meses e meses, quase sem interrupção, ao perigoso exercício da escrita automática ou psicografia. Conseqüência: o equilíbrio psíquico desse jovem rompeu-se, originando facilmente desdobramento da personalidade e automatismo notável.

O Pe. Garo, Cônego da catedral de Nancy, e mais outros seis sacerdotes quiseram presenciar pessoalmente o fenômeno que julgavam inacreditável. Chamaram o jovem. Este, que era católico, acedeu imediatamente.

“Entregaram-lhe um papel e lápis, convidando-o a responder a algumas perguntas encerradas num envelope fechado que estava sobre a mesa”. O jovem escreveu as respostas adequadas. Uma delas em latim. Frase feita, não original. Tinha, porém, sentido de acordo com a pergunta.
O Cônego Garo e os outros seis padres não tiveram dúvidas: respondera em latim quem ignorava completamente o latim. Só podia ser obra do demônio…! E levantaram a sessão imediatamente.

Foi o primeiro erro “explicativo”.
Logo apareceu outro erro para “explicar” o caso:
Seriam os “espíritos” (ponho sempre “espírito” entre aspas porque não há espírito humano sem corpo, mortal ou ressuscitado). E o caso foi publicado na “Revue Spirite”, embora uma testemunha, o comunicante, não estivesse seguro de se tratar de um fenômeno espírita. “Li grande número de obras sobre o Espiritismo e confesso -escreve acertadamente o articulista, laico– que ainda não existe clareza sobre o assunto (…), todas as afirmações são hipóteses sem nenhuma justificação”.

Hoje, com o avanço da ciência, o caso aparece simples podendo ter duas explicações, fáceis e naturais.
Os mesmos padres ali presentes haviam formulado as perguntas contidas no envelope. Não seria difícil ao jovem, notavelmente hiperestésico e treinado, captar dos padres o conteúdo do envelope. HIP.

O conhecimento das perguntas, ao que parece pelo teor da relação, foi inconsciente no jovem. Inconscientes parece que foram também as respostas, facilitadas aliás pela psicografia. Nem houve necessidade de se passar ao campo da consciência. Isso facilita muito o fenômeno.

Mas uma das respostas fora dada em latim… Não há nada de estranho em que um professor católico ouvisse frases em latim. Todos as ouviam na Igreja. Nada há de estranho que soubesse, ao menos inconscientemente, o significado de algumas frases latinas ouvidas, ou porque o significado fosse compreensível, ou porque lhe tivesse sido explicado. Mesmo que não se lembrasse conscientemente dessas frases e do seu significado, o inconsciente não esquece nada, é pantomnésico. Pois bem, a uma das perguntas feitas pelos padres, inconsciente e hiperestèsicamente captadas pelo jovem, associou-se mais facilmente uma frase latina… Onde estaria o mistério?

Mas propomos outra explicação mais verossímil. Os padres tinham formulado as perguntas. Para elas coincido com a solução anterior. Para as respostas mantemos a mesma linha: respostas inconscientemente formuladas pelos padres e captadas nos mesmos. Tudo se reduz, no jovem, à Hiperestesia Indireta do Pensamento dos padres, tanto para as perguntas, como para as respostas, incluindo a resposta em latim.

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